Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

VINTE e oito dias depois, já ganhou corpo e forma a ponte pedonal que liga as duas margens da Estrada Circular de Maputo junto à Escola Primária Completa de Chiango, na cidade de Maputo.

Na verdade, aquela não é uma ponte qualquer! Foi construída por instruções do Presidente da República, Filipe Nyusi, em resposta a uma ruidosa exigência dos moradores daquele bairro, que reagiram com barricadas ao atropelamento mortal de uma criança. Durante algumas horas, e de forma arruaceira, impediram literalmente a circulação de pessoas e bens em tão importante eixo de ligação com o centro da capital do país.

Pensando bem, havia ali duas causas numa só. Por um lado, a justa reivindicação dos moradores devido ao mau comportamento de alguns automobilistas utentes daquela via. Basta ver as marcas de estragos em praticamente todas as rotundas da estrada. Diariamente, há pelo menos uma viatura desgovernada que galga uma rotunda da “Circular”, algumas vezes com vítimas humanas e sempre com danos materiais de tirar fôlego…

Chego a pensar se não estará o bicho-homem a tornar-se irracional a ponto de já não ter a capacidade de aprender pelo exemplo. Doutro modo, fica difícil compreender que viaturas “acabem” diariamente nos mesmos lugares e pelas mesmas causas, sem que a nossa condição de racionais nos ajude a evitar…

Por outro lado, julgo que aquela foi uma oportunidade aproveitada por alguns para exercitar o instinto político, comum quando se aproximam épocas eleitorais.

Há-de ser por isso que, com o mote de reclamar o mau comportamento de alguns automobilistas, houve quem pensasse que o melhor era obstruir a via com troncos, pedras e ramos de plantas espinhosas, perturbando por completo o normal funcionamento da economia. Em assim fazendo, está claro que o ónus seria todo transferido para quem tem a obrigação de assegurar que a vida dos cidadãos decorra normal e tranquilamente.

Como utilizador frequente da Estrada Circular, venho testemunhando o bom ritmo das obras no terreno e, de cada vez que por ali passo, vejo chegar o dia em que, finalmente, as crianças de Chiango terão como atravessar a estrada em segurança, de e para a escola.

A minha curiosidade é saber o papel que vão jogar, doravante, todos aqueles adultos que naquela manhã barricaram a estrada e levantaram a voz arruaceiramente, exigindo ponte. Ora, a ponte já está lá!

Agora ensinem as crianças a usá-la sempre que forem a atravessar a estrada, independentemente de estarem ou não atrasadas à escola.

Vocês adultos, também, usem a ponte para ensinar pelo exemplo, porque as mesmas crianças que ontem aplaudiam a vossa barricada exigindo ponte hoje querem sentir o orgulho de desfrutar da infra-estrutura mas, sobretudo, de ver-vos atravessar a estrada usando a ponte que tanto exigiram.

Ensinem também às crianças a não adoptarem a arruaça como método para reclamar algo. Ensinem-lhes, pelo exemplo, a apresentar as suas preocupações de forma ordeira e educada às pessoas certas, aquelas que, mesmo não podendo solucionar o problema, saberão conduzir o assunto pela melhor via.

Recentemente, e como que ateado pelo rastilho de Chiango, dezenas de pessoas adultas, acompanhadas de crianças, também foram à Estrada Circular queimar pneus e obstruir a via com troncos, pedras e ramos espinhosos, num pretenso protesto contra a construção de um aterro na zona de Matlemele, numa área que até dista alguns quilómetros da estrada que foram barricar…

Não quero discutir o assunto lixeira em si, até porque se trata de um projecto que remonta aos tempos em que Carlos Tembe era presidente do município da Matola. De lá para cá, muitos foram instalar-se na área reservada ao aterro de forma premeditada, com a expectativa de, nesta fase, exigirem indemnização do Estado. Mas esse é assunto do município que, aliás, já se posicionou publicamente sobre ele.

O meu problema é com aqueles que usam a arruaça e o vandalismo como métodos de luta, ademais com claque de crianças, que acabam crescendo confusas, sem conhecer a diferença entre o bem e o mal, e entre o bom e o recomendável…

Mas a ponte de Chiango já está aí… ensinem as crianças a usá-la! E usem-na, vocês também adultos!

Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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