Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

NÃO sei se destes dias também se dizem lindos. Este não é um dia de sol, mas bastante fresco e com chuva miudinha, pelos corpos e pelos corpinhos, nalgumas regiões, como as minhas pupilas foram dadas observar nesse presente. As minhas roupas e a carne penetradas e atingida. Não assim tanto, mas quando gotículas na parte calva da minha monstra, como dizem os que sobre ela assentam seus olhares, era um incessante piscar de olhos. O friozinho chegava ao estômago, mas coisa de pouca dura.

Não deixei de pensar numa lareira, eventualmente para assar milho ou um tubérculo qualquer daqueles que alimentaram e alimentam corpos e almas do nosso viver. E…não é então que dos três meninos caminhando à beira da estrada, de azul uniformizados e sacolas a tiracolo, dois deles estavam comendo mandioca crua, mesmo tiritando do friozinho. Deixaram a lareira, a qual durante a noite fez de reforço da sua manta já bastante puída, na palhota da construção de sonhos do amanhã. Não tiveram tempo para assar ou ferver a mandioca. Até porque fervida precisariam de água, mesmo que não quente, no final.

Olham para os carros com que se cruzam. Olham para os carros que passam por eles a grandes velocidades. Já não os admiram. Desejam-nos. Desejam-nos no sentido em que possam ser solução ou meios de suprir dificuldades que se lhes colocará a vida, que é pródiga nestes casos, também.

Então é enorme o desejo de buscar formas para viverem essa vida com vida. Tão-pouco o friozinho os faz vacilar neste violento inverno há cerca de duzentos quilómetros da cidade do meu sorridente exílio e do qual não tenho pretensão urgente de que me liberte. São meninos e meninas construindo o seu amanhã no governo dos grandes burgos, onde passarão a alimentar-se de pizzas, hamburgues, KFC’s, que nos dias de hoje chega-lhes o molho, quando muito a asa, a pata, a cabeça e as tripas quando acontece o sacrifício de uma ave em razão de um ilustre visitante. É assim, e não faz mal que seus iguais – cuja diferença está na sorte que a natureza determinou para cada um – se  admirem, já que desta iguaria andam fartos, ou então sabe melhor quando o consumo é fora do lar paterno, e numa casa de pasto.

Na transformação das suas aldeias em locais de vivências das vilas e cidades de hoje. Com discotecas, cervejarias, restaurantes, casas de moda, sedes de jornais, estações de rádios. Enfim: na glória dos seus pais, que já não podem tornar à indústria extractiva sul-africana porque o tempo foi-lhes consumindo as forças. Porque já não há lugar, na indústria, para os idos de outras terras: os nativos despertaram para o trabalho. Para a glória das mães, cuja juventude se foi com o dorso dobrado e uma enxada de cabo curto para os alimentar. Cuja juventude perdida nas noites de os embalar. As mamas, quais pêndulos de tanto chupadas por aqueles meninos, embora nunca o tenham sido, que no futuro vão estacionar nos actuais condomínios em que vivem seus pais, portentosas máquinas como aquelas com que se cruzam. Como aquelas que passam por eles. Sempre no seu ir e voltar do campo de lançamento da semente que vai ser a glória da comunidade que os gerou.

E será com gozo e alegria que se recordarão de dias como hoje. Do frio que apenas será recordação, já que em condições de agasalhos de gama e de aquecedores equipadas as suas residências, os seus lugares de lazer, os seus lugares de gozo. Gozo devagarinho e prolongado e depois “eu cresci aqui”. “Eu estudei aqui”. E a escola da missão, que era igualmente a capela, já em avançado estado de degradação. A precisar de requalificação. A contribuição? Sim, mas a pé coxinho.

Os tiros foram responsáveis. Melhor, os homens foram responsáveis.

A chuvinha e a plantação.

Djenguenyenye Ndlovu

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