Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

Semana passada viajei para fora de Maputo, usando a via rodoviária. Por força das circunstâncias, passei pela Praça dos Combatentes, por volta das quatro horas da manhã. Embora o sol ainda estivesse a nascer, timidamente, e por isso estava um pouco escuro, a iluminação fornecida pela energia eléctrica permitia ver quase tudo.

O local apresentava um aspecto diferente do habitual. Estava limpo, organizado e algumas mulheres enroladas em capulanas, para se resguardarem do friozinho do Inverno, encontravam-se numa paragem à espera dos primeiros transportes públicos de passageiros que as levariam ao mercado grossista do Zimpeto, onde adquirem os produtos que comercializam nos seus postos habituais.

Esta praça, para quem não sabe, acolhe um dos maiores mercados informais da cidade de Maputo, que movimenta milhares de pessoas e vende um pouco de tudo, nomeadamente produtos alimentares, peças de vestuário usado, material de construção, electrodomésticos, só para citar alguns exemplos.

São homens e mulheres, incluindo crianças, que diariamente escalam “o mercado de Xikhelene”, como é comummente conhecido, na luta pela sua sobrevivência e a dos seus dependentes. Quem já por ali passou sabe quão movimentado é, e até certo ponto perigoso (por acolher também malfeitores) este local.

As faixas de rodagem das avenidas Julius Nyerere e das FPLM, onde se localiza este mercado informal, foram todas tomadas de assalto pelos vendedores que não se intimidam com a circulação de veículos, mesmo os de grande tonelagem. Os automobilistas são forçados a redobrarem a sua atenção ao passarem pela estreitíssima rodovia que disputam com os vendedores e clientes, para evitarem atropelar as pessoas que se acotovelam ou esmagarem os produtos ali comercializados.

Trata-se de um cenário gritante. O município, por diversas vezes, deu ultimatos aos negociantes para abandonarem o local e irem desenvolver as suas actividades nos mercados formalmente criados para o efeito, nas proximidades, tais como “Mucoriane” e “Compone”, entre outros. Porém, tais advertências foram debalde, pois as pessoas insistem em permanecer ali, alegando falta de clientela nos bazares propostos, o que põe em causa o seu “ganha-pão”, para além da exiguidade de espaço, tendo em conta a quantidade de gente envolvida nesta actividade.

Estes argumentos até podem ser válidos, mas é necessário que se respeite a postura camarária, para além de se ter em conta as condições de higiene em que os produtos, sobretudo alimentares, são vendidos, a segurança das pessoas que frequentam o local, a livre circulação de veículos, entre outras.

Uma das pessoas que comigo viajou à província de Gaza e que vive naquelas bandas do “Xikhelene”, falou, com alguma mágoa, do trabalho de limpeza que diariamente é desenvolvido pelos trabalhadores do Concelho Municipal, na tentativa de manter o espaço limpo. Intriga-lhe que a responsabilidade de manter o local depurado, todos os dias, seja das autoridades municipais e não de quem trabalha no “Xikhelene” e produz enormes quantidades de lixo, evocando que paga uma taxa ao município pelo exercício da actividade.

Na verdade, a Praça dos Combatentes só fica limpa durante o período em que os utentes regressam às suas casas, deixando para trás várias quantidades de resíduos sólidos. No fim da jornada ninguém se preocupa em recolher o lixo que produziu, para no dia seguinte trabalhar em condições higiénicas aceitáveis. A primeira e única preocupação é vender e ganhar dinheiro. A convivência com os detritos não inquieta, mesmo existindo recipientes onde devem ser acondicionados.

Trata-se de uma prática que caracteriza os mercados informais no nosso país: produzir e abandonar o lixo, à espera de que quem se sentir incomodado que o retire para lugar apropriado. Aliás, isso não só acontece nos mercados, como noutros locais. Quem ainda não viu um automobilista a arremessar pratos ou garrafas descartáveis, entre outros objectos, pela janela, nas nossas estradas?! Donde vem este hábito? Mas mal atravessamos a fronteira de Ressano Garcia para a África do Sul, assumimos outra postura em relação ao tratamento da imundície!

Delfina Mugabe

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