Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

O PRIMEIRO encontro entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o falecido líder da Renamo, Afonso Dlhakama, foi inevitavelmente, objecto do noticiário nacional e internacional, por se considerar um passo importantíssimo para a pacificação do nosso país.

Tanto em Moçambique como no estrangeiro, convergia-se em congratulações e encorajamentos para os dois continuarem com os esforços de busca da paz efectiva e duradoira almejada por todos os moçambicanos.

A notícia surpreendeu muita gente do que à partida poderia se imaginar. Era a primeira vez que um Presidente da República de Moçambique se dirigia às matas da Gorongosa para relançar a esperança da paz efectiva e duradoira, através de um diálogo aberto e franco, coerente, consistente, responsável e permanentemente de proximidade dos protagonistas do processo.

O Chefe do Estado dava assim um grande passo em frente na busca dessa paz que vem sendo adiada, ensombrada por avanços e recuos, devido, em parte, a desconfiança. Não foram poucos os que consideraram a iniciativa de Nyusi, como exemplo a ser seguido por todos aqueles que se dedicam ao serviço ou bem de um povo sofredor como o de Moçambique.

Entretanto, quando tudo parecia que estava a correr bem, eis que Moçambique e o mundo são mais uma vez surpreendidos, desta feita pela negativa, com o adiamento da sessão extraordinária da Assembleia da República, que deveria debater e aprovar o novo pacote eleitoral, no contexto da materialização dos consensos alcançados entre o Chefe do Estado e Afonso Dlhakama, por a bancada maioritária condicionar tal exercício legislativo à sinais claros de vontade de desmilitarização por parte da Renamo.

Fazendo apenas uma análise com sentido patriótico, tal condicionamento pode ou não confirmar a ideia dos cépticos de que com a morte do líder da Renamo, a busca de paz teria outras abordagens, isto é, abriam-se incertezas quanto ao sucesso do processo.

Contudo, não podemos perder de vista que em quaisquer que fossem as condições, o processo será complexo, daí que seja necessário neste momento de impasse na AR, juntar esforços de todos os cidadãos.

Já não precisamos de discursos retóricos, mas sim de actos concretos que “alimentem” sinais de paz, tal como vinha fazendo o Presidente da República.

O impasse na AR pode não ser um sinal de mais uma deterioração do clima político no país, mas não durmamos à sombra da bananeira, colocando panos quentes às atitudes tendentes a “ressuscitar” os sinais de incerteza à volta do processo de paz no país porque sabemos que outros esforços feitos antes das iniciativas do Presidente Nyusi para a paz, fracassaram.

Porém, muitos moçambicanos estão optimistas e esperam que desta vez, a paz desejada possa chegar, até porque transparece que os sinais de reconciliação são mais evidentes do que os de confrontação política ou militar. Ainda bem que o estadista moçambicano já reafirmou que a paz é irreversível e a presidente da AR, Verónica Macamo, também tranquilizou os moçambicanos para não ficarem desesperados, pois ela acredita que o impasse será ultrapassado para permitir a aprovação do novo pacote eleitoral e consequente realização do sufrágio autárquico em Outubro próximo.

De facto, Moçambique, merece melhor sorte, fortificando sempre os sinais de esperança da paz, para que continue a ser um país sonhado pelos nossos antepassados e heróis.

Contudo, acreditamos que a nova liderança da Renamo será capaz de conduzir o processo de busca da paz com sucesso, lembrando que os horrores da guerra de dezasseis anos ainda estão latentes na sociedade moçambicana.

Mouzinho de Albuquerque

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