Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

AS florestas são fontes seguras a partir das quais milhões de seres humanos e milhões, senão bilhões de animais, extraem diversos bens para o seu sustento. Foi assim ao longo dos séculos passados. Continuará a ser assim durante os próximos séculos. Por isso, a sua destruição é um passo seguro em direcção à destruição da humanidade e de todas as outras espécies que habitam o planeta terra. Por causa disso mesmo, alertas sobre o perigo do seu desaparecimento vêm sendo feitos ao longo das últimas décadas.

O aquecimento global do planeta, que resulta do desmatamento e da industrialização excessiva, o perigo do degelo no Árctico, que resulta também da combinação dos dois factores atrás referidos, são sinais claros da “garantia” de que se nada for feito “agora”, amanhã será demasiado tarde. Trabalhar hoje para que as futuras gerações possam ter um lugar para viver, é tarefa dos actuais ocupantes deste espaço que é o planeta terra. Os apelos nesse sentido não podem, por isso, cair em saco roto, como sói dizer-se.

A decisão anunciada pelas autoridades chinesas de punir os seus cidadãos que estejam envolvidos em acções de destruição do meio ambiente noutros países, terá sido tomada provavelmente a partir da compreensão de que o desaparecimento de uma floresta em África, continente que dista milhares de quilómetros da China, o desmatamento numa zona da Europa, o deslizamento de terras na América Latina, a poluição do mar, do ar, no Médio Oriente, nos Estados Unidos da América, na Rússia, no Canadá, etc, afectará, “mais dias, menos dias”, a gigante China.

Note-se que a China anuncia esta decisão pouco tempo depois de a América de Donald Trump ter anunciado a sua retirada do acordo de Paris sobre mudanças climáticas assinado em 2015. Lembre-se que o líder americano havia alertado, durante a campanha eleitoral, para a possibilidade de deixar o pacto caso fosse eleito, argumentando que o acordo  beneficiava apenas os interesses chineses. Apesar de festejada por membros do Partido Republicano,a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris foi condenada por cidadãos americanos, em geral, por vários governos, organizações e lideranças políticas de todo o mundo. O evento contou com a participação dos Estados Unidos, sob a presidência de Barack Obama.

Entre outros objectivos, o Acordo de Paris visa “assegurar que o aumento da temperatura média global fique abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais”, predominantemente através da redução de gases do efeito estufa. Em Abril de 2016, os Estados Unidos assinaram o Acordo de Paris. O então presidente, Barack Obama comprometeu-se a contribuir com 3 bilhões de dólares ao Fundo Verde do Clima, cujo objectivo é alcançar a marca de 100 biliões de dólares até 2020.

O anúncio chinês é, assim, para mim, uma chamada de atenção, não apenas para o mundo em geral, como também e principalmente para os países onde empresas ou cidadãos chineses desenvolvem alguns dos seus negócios. Porquê? Simples: é que, como se sabe, muitos agentes dos governos desses países são os principais culpados dos desmandos praticados pelas empresas ou cidadãos chineses ou de outros países.

De facto, são esses agentes que facilitam muitas vezes, práticas condenáveis a troco de pagamentos milionários ilegais. Quantas vezes vimos, através da televisão, lemos nos jornais, ouvimos através das rádios, informações denunciando o envolvimento de responsáveis de instituições públicas em negociatas para facilitação, por exemplo, de projectos de exploração de madeira, para a instalação de indústrias clandestinas de produção de bebidas, para a instalação de fabriquetas disto e daquilo, sem obedecer os requisitos legais pré-estabelecidos?

Assim, para que o anúncio chinês produza os efeitos desejados é crucial que os governos receptores do investimento chinês e/ou de outras origens, actuem no sentido de garantir a responsabilização dos prevaricadores, sejam eles chineses, sejam eles da Europa, da América, ou nacionais.

 

Marcelino SilvaEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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