Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

DEPOIS de alguns dias a desconfiar do desempenho do seu organismo, Etelvina (nome fictício) decidiu ir à busca de resposta para a pergunta que não calava: aquelas manifestações do seu corpo eram ou não sintomas de malária?

Decidir ir ao hospital não foi tarefa fácil para Etelvina, que guarda memórias amargas de algumas vezes que foi parar a uma unidade sanitária. Uma das vezes foi quando, depois de cerca de cinco horas à espera num banco, combalida, acabou tendo de regressar à casa sem no mínimo ter sido ouvida por alguém de bata branca, tudo porque às 15.30 horas, o pessoal de serviço anunciou que estava na hora de fechar o atendimento. A recomendação era que os doentes regressassem no dia seguinte, salvo os casos de emergência, que podiam procurar os serviços de urgência…

Na verdade, o caso da Etelvina até não inspirava atendimento de urgência, tanto é que conseguiu, sozinha, “arrastar-se” de volta à casa, onde entre gemidos de dor e desespero, geriu a doença até ao dia seguinte, quando voltou à unidade sanitária. Desta vez teve melhor sorte porque foi atendida por uma enfermeira que dividia a atenção com um telemóvel que não parava de vibrar, e com o qual ia trocando sorrisos enquanto prestava, esporadicamente, atenção à paciente, a quem ia colocando perguntas soltas.

No fim, com toda a naturalidade, receitou uma lista de medicamentos, parte dos quais foi advertindo que só podia comprar numa farmácia privada, uma vez que a do hospital não os tinha… Felizmente, Etelvina “safou-se” desta.

Outro episódio que horrorizou Etelvina foi quando uma vizinha sua perdeu a vida, no hospital, depois de lhe terem faltado cuidados médicos em tempo útil, pois quando finalmente teve acesso à sala de urgências, pela mão de um jovem médico conhecido que percebeu a gravidade da situação, já não havia muito que fazer. A mulher tinha sido atropelada por uma motorizada numa das ruas da cidade, tendo sofrido uma hemorragia interna por ter embatido violentamente com a cabeça no asfalto. Como não tivesse sinais visíveis de ferimento, foi sendo relegada ao segundo plano pelo pessoal das urgências, alguns dos quais até se referiram ao caso como “não grave”, deixando a pobre mulher, aos gemidos, encostada num dos concorridos bancos do hospital…

Incomodada com o mal-estar que, pelo terceiro dia consecutivo, a impedia de ir à luta pela vida, Etelvina decidiu desafiar todas as memórias negativas que tinha do hospital, e foi à consulta. Primeiro foi ao Laboratório de Análises Clínicas (LAC), por ser perto de sua casa, onde foi realizar um exame de plasmódio. Ao fim de cerca de dez minutos, lá veio o resultado: Malária, uma cruz! Com o resultado, ela recebeu também uma receita de antimaláricos.

Desconfiada da rapidez com que lhe foi diagnosticada a malária, e da maneira algo “desportiva” como foi tratada pelo pessoal, Etelvina decidiu, já a caminho da farmácia, que podia realizar mais um teste, desta feita no hospital.

Feita a colheita da amostra de sangue, aguardou por cerca de meia hora no banco, sentada, até que veio o resultado: Não havia qualquer indício de malária! Em menos de uma hora, Etelvina tinha dois resultados contraditórios de exames médicos, e uma receita de medicamentos.

O cansaço e a febre que já lhe disputavam o corpo havia pelo menos dois dias, Etelvina começava a fraquejar, até mesmo pela situação embaraçosa em que estava metida. Era preciso agir depressa! Quando me ligou a colocar o problema, sugeri que fosse a mais um exame, num outro hospital, para onde a levei numa viagem de cerca de vinte e cinco minutos de carro. Fizemos a distância praticamente sem conversa.

Aqui, o teste demorou cerca de 40 minutos, e o resultado veio positivo. Etelvina tinha malária, agora de duas cruzes! Explicamos ao técnico que aquele era o terceiro exame feito na mesma manhã, com resultados diferentes, e perguntávamos a qual dos resultados devíamos fazer fé.

- Afinal por que é que vocês vieram para aqui? Escolham o que for o melhor para vocês. Para mim, o resultado é esse aí… - fim de conversa!

Cabisbaixos, saímos para a farmácia. Compramos os antimaláricos receitados. Há três dias que Etelvina está a medicar. O que tanto eu quanto ela não sabemos, é se a melhoria que está a registar é mesmo resultado dos antimaláricos ou se é obra do próprio organismo que, eventualmente, não chegou a hospedar o famigerado falciparum

Esta é uma história igual a muitas que acontecem pelo país fora e conto-a exactamente para denunciar a mediocridade, a falta de brio, responsabilidade e de competência técnica por parte de alguns profissionais da saúde.

A cada dia me convenço que está na hora de humanizar o atendimento nos nossos hospitais.

Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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