Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

EMBORA Malthus tenha sido a voz “mais ouvida” sobre este assunto, sendo criticado por uns e aplaudido por outros, muitos outros estudiosos da época produziram estudos sobre o mesmo tema. Entretanto, os resultados desses (diferentes) estudos nunca foram convergentes. Mesmo assim, William Bell, um dos participantes no debate, defendeu, por volta de 1774, que para solucionar o problema era imperativo favorecer o desenvolvimento da agricultura devendo, para isso, fazer-se a distribuição da terra de forma igualitária entre as famílias de agricultores.

Respondendo à pergunta do título deste texto, devo dizer que sim, a teoria de Malthus está de facto a ser aplicada. Digo mesmo que quase todos os caminhos indicados nessa direcção estão a ser trilhados. Com efeito, depois da I e II Guerras Mundiais, como se sabe, limparam da face da terra milhões de seres humanos e com eles muitos outros seres vivos, seguiram-se outras guerras. Estas foram e são, nalguns casos, mais mortíferas devido à sofisticação das armas usadas, comparativamente às usadas nos dois primeiros conflitos armados mundiais.

Há que destacar, de resto, que os executores das teorias de Malthus não estão a usar apenas as armas convencionais - as metralhadoras, os tanques, os aviões bombardeiros, os mísseis, os navios de guerra, as granadas, etc. O arsenal em uso para exterminar os seres vivos inclui as chamadas armas invisíveis, mas letais e também eficientes. Entre elas aponto uma: a promoção de desestabilização política e social com o objectivo de desestruturar as sociedades, inviabilizar os processos de governação, instalar o caos, levar a que as autoridades policiais e de segurança actuem para a reposição da ordem e tranquilidade. E, depois, sob a capa de defensores dos direitos humanos, virem ao público condenar os governantes apelidando-os de antidemocratas.

O principal resultado das acções de desestabilização política e social é o desvio das prioridades definidas pelos dirigentes dos países visados, relegando para segundo, terceiro ou mesmo quarto plano os programas de produção de alimentos e de outros bens essenciais para a vida da população. O objectivo final é a perpetuação da fome e da pobreza. Paralelamente, devido à ausência de estabilidade social e política, uma outra arma não menos letal “aparece” facilmente: as doenças e várias epidemias para as quais os países vítimas não dispõem de medicamentos…

Temos as guerras “pela democracia” na Líbia, Iraque, Síria, Faixa de Gaza (Palestina), o terrorismo organizado na Nigéria. Assistimos, estarrecidos, ao tráfico humano de proporções gigantescas, envolvendo organizações criminosas. Para lograrem os seus objectivos, algumas dessas organizações usam esquemas maquiavélicos que se saldam muitas vezes em morte de centenas de milhares de cidadãos. Cito, como exemplo, as redes que usam embarcações precárias para o transporte de gente traficada de África para o norte da Europa. Impotentes, assistimos ainda ao tráfico e promoção do consumo de droga. Testemunhamos, igualmente, a continuação da produção “versus” venda/compra de armas. Acompanhamos, com tristeza, a falta de interesse em investir meios e recursos técnicos e financeiros na investigação visando a descoberta e produção de vacinas contra o HIV/SIDA, contra a malária e contra outras enfermidades que anualmente matam milhões de seres humanos.

Essas guerras e a promoção da desestabilização política e social, a falta de investimento para a criação de bases que assegurem melhores condições de vida para os cidadãos, entre outros males, são, na minha opinião, outras formas maquiavélicas identificadas e postas em execução por aqueles que, na verdade, aplaudiram as teorias de Malthus. Apesar destes esforços direccionados a matar indiscriminadamente comunidades inteiras, continuamos a assistir, infelizmente, ao nascimento de mais gente do que a produção de alimentos em quantidade suficiente para alimentar essas pessoas. Porquê, perguntar-se-á! As respostas podem ser várias e diversas.

As guerras produzem deslocados e refugiados. E, é entre os refugiados e os deslocados onde se fazem mais filhos. Uma das razões porque assim acontece, é que, destituídos de ocupações úteis, sem esperança e descrentes do amanhã, a única coisa “boa” que os refugiados/deslocados têm é o sexo e este é ou pode ser feito “a toda a hora”, sem protecção e sem preocupação em evitar a gravidez. Nos anos de 1990, visitando campos de deslocados no interior do país e os de refugiados no Zimbabwe, Malawi e Zâmbia, vi casais com seis, sete filhos com idades entre 8 meses a 1 ano ou ano e meio… Em resumo, a teoria de Malthus está a ser aplicada. As guerras estão aí. As doenças e/ou epidemias estão aí. Morre-se todos os dias aos milhões. Contudo, o resultado teima em ser inverso ao desejado. O mundo continua a ter mais gente do que alimentos…

Marcelino SilvaEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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