Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

NÃO sei como iniciar a abordagem de um tema tão constrangedor, designadamente o lixo na praia da Costa do Sol, na cidade de Maputo. Faço parte de um grupo de pessoas que pouco aprecia este local por várias razões, sendo uma delas a quantidade considerável de resíduos sólidos, em que se incluem objectos cortantes que colocam em perigo a vida dos utentes.

De referir que o único responsável por este cenário é o próprio cidadão que produz e abandona o lixo em locais inapropriados. É deveras inquietante e inacreditável o que acontece nesta zona costeira do país. 

Os últimos três dias da semana passada foram caracterizados por uma intensa vaga de calor. E porque coincidiram com um longo fim-de-semana, como resultado do feriado nacional (7 de Setembro, dia de assinatura do Acordo de Lusaka, que pôs termo a 10 anos de luta armada visando a libertação de Moçambique), muita gente, para se furtar das altas temperaturas, foi à praia. O local esteve abarrotado de gente, ao ponto de, ao meio da tarde da sexta-feira, já não caber nem uma agulha. Eram pessoas de todas as idades, entre homens e mulheres.

 Tratou-se, também, de uma oportunidade para os negociantes informais redobrarem as suas receitas, vendendo produtos alimentares e bebidas, o que é normal nestas circunstâncias. Porém, o problema começa quando haja quem coma e beba e, depois, deixe atrás, já de regresso à casa, quantidades incalculáveis de vasilhames de bebidas alcoólicas, pratos, copos descartáveis, restos de comida, sacos plásticos, entre ouros fragmentos, o que atrai todo o tipo de insectos em virtude do cheiro dos alimentos. 

Todos aprendemos dos mais velhos, desde pequenos, os princípios básicos de convivência comum e de boa educação. Os nossos pais transmitiram-nos valores que devem passar de geração em geração, dentre os quais está o saber respeitar o próximo. Parece-me que estes preceitos contrastam com aquilo que alguns utentes da praia da Costa do Sol fazem. Caso contrário, não se justificaria tanta imundície que caracteriza o local aos fins-de-semana. Neste último, a quantidade de lixo ali produzido foi impressionante: grandes quantidades de vasilhames de cerveja e de outras bebidas alcoólicas foram espalhadas e abandonadas. Creio que a expectativa dos consumidores é que venha alguém limpar e recolher os detritos que eles deixaram, apesar de haver recipientes apropriados para o efeito ao longo da praia.

A imprensa, amiúde, aborda o assunto relativo a jornadas de limpeza nesta área de lazer, conhecida por ser uma das mais sujas do país. Há gente que não se cansa de fazer tudo para torná-la limpa e acolhedora. Porém, o número dos que a conspurcam é maior.

Algumas acções até envergonham quem se preza. Por exemplo, soube que a ministra do ambiente e assuntos rurais do Reino Unido, Therese Coffey, que hoje inicia uma visita ao nosso país, tem na sua agenda a participação numa jornada de limpeza na praia da Costa do Sol. Fiquei constrangida com isso. Será que precisamos, de facto, que alguém de fora quando visita Moçambique participe na preservação de um espaço que nós poderíamos manter esplêndido, bastando para isso evitar atitudes indecorosas?

 Talvez esta seja uma oportunidade para se reflectir sobre este grande desafio, que é manter a praia limpa, o que passa por impor algumas sanções a quem deposite imundície em locais impróprios, como acontece todos os dias na nossa cidade. Haja disciplina!

_Delfina Mugabe

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