Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

Em Abril do ano que caminha célere para o fim, Limpopo escalou o distrito de Chicualacuala, em cobertura da visita efectuada pela governadora da província de Gaza, Stella Pinto Zeca, numa digressão que incluiu ainda os distritos de Mapai e Mabalane. Mas é do ponto de partida desta maratona que pretendo partilhar com os amigos do Limpopo: Chicualacuala.

O distrito de Chicualacuala situa-se a norte da província de Gaza e tem dois postos administrativos, nomeadamente Eduardo Mondlane (Chicualacuala-sede, se quisermos) e o posto administrativo de Pafuri. Os dois postos administrativos são separados pelo Rio Mwenezi. Estava previsto que o trabalho efectuado neste distrito, nesse mês de Abril, tivesse incluído os dois postos administrativos, mas tal não foi possível, porque havia chovido e o “carrasco” Rio Mwenezi, que em alguma parte do seu percurso se torna paralelo ao Rio Limpopo, havia bloqueado a via. Aliás, o mesmo acontecia com o “Limpopo”, cujo caudal não permitia a travessia. Vi que a chuva não era bênção. A governadora teve de recuar, para tomar novas posições, visivelmente inconformada com o facto de não poder chegar a este pedaço do território sob sua jurisdição. E tomou.

É que, para se sair de Chicualacuala-sede para o posto administrativo de Pafuri, a travessia dos rios Mwenezi e Limpopo é incontornável. Mesmo usando a via-Mapai, também não se evita esta ginástica. Um cidadão anónimo, a título e risco pessoais, entendeu que devia colocar um pequeno batelão, para a travessia de pessoas e bens, do lado de Mapai, mas desentendeu-se com os turistas, que acharam uma aberração a colocação de uma “portagem” e a cobrança de 300 meticais para se fazer para o outro lado do rio.

Não sei até que ponto esta iniciativa ajudava ou não, mas o facto é que a carcaça do batelão está abandonada numa das margens e os carros são sujeitos a mergulhos, quando o caudal está ligeiramente baixo, ou à prova das respectivas potências, quando o rio está totalmente seco, pois a água é substituída por um areal difícil de desafiar. Mas chegámos a Pafuri!

Já naquele posto administrativo, choquei-me com outra adversidade: a perda de 1.385 hectares de culturas diversas por muita chuva e por ausência dela. Ou seja, por inundações e seca. Neste momento, não chove, em Pafuri, à semelhança do que acontece em grande parte da região norte de Gaza e os 6.319 habitantes deste posto administrativo estão sujeitos a uma alimentação não diversificada, o que as autoridades locais chamam de “fome qualitativa”. De novo, vi que a chuva não é bênção para Pafuri.

Quando chove, não há comunicação com a sede do distrito, onde se pode obter diversos serviços, principalmente sanitários. Só este mês é que começou a construção de uma unidade sanitária na localidade de M’buzi, com o lançamento da primeira pedra, mas a sua conclusão está prevista para Fevereiro do próximo ano.

Quando não chove, não há produção e a fome é severa. Importa-se tudo da vizinha África do Sul, que também tem ajudado na comunicação com a província e cidade de Maputo, porque os habitantes de Pafuri que pretendam chegar à capital do país entram pela província sul-africana do Limpopo, até à fronteira de Ressano Garcia.

E quando a chuva não é bênção, não se joga limpo(po)...

César Langa- Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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