Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

VIVÍAMOS na era do cáustico director da Cadeia Provincial de Tete, de nome Marrengula. Duro que nem barra de linha férrea, mas estratega nos modos de agir, quando o assunto era o melhor aproveitamento da mão-de-obra ociosa que se encontrava encarcerada.

Recordo-me que aquela instituição prisional ganhou fama na altura por ter sido campeã na produção de hortículas, animais de pequeno porte e até algumas cabeças de gado bovino em Chingodzi, próximo do aeroporto do mesmo nome, em Tete.

Hoje não sei a quantas anda a situação lá para as margens do Zambeze. Por ter sido uma experiência bastante aplaudica na época, estou em crer que aquela unidade prisional deve estar a dar continuidade ao projecto. Certamente que deve integrar a equipa das empresas produtoras de alimentos que assumem hoje o compromisso de fornecer verduras às grandes empresas mineiras que actuam em Tete. Existem terrenos para produzir e mão-de-obra à fartura.

Pessoas jovens e cheias de vida que se metem na delinquência alegando falta de emprego deviam usar o talento e a sua força física para realizar actividades úteis à sociedade.

A filosofia de que devem multiplicar-se as prisões abertas, permitindo que os condenados possam produzir para o seu próprio sustento e até para vender, é uma recomendação a não desprezar.

Porque a cada dia há mais condenados a entrar nas cadeias do que a sair, talvez possamos não conseguir notar grandes avanços neste capítulo. Mas há que reconhecer, por outro lado, que a capacidade do aparelho judicial em resolver cabalmente estes problemas é ainda diminuta.

Mas, como dizia um aluno primário na sua redacção, eu quando crescer gostaria de ser a Constituição da República. O professor admirado, pergunta, porquê?

O menino explica: “Se eu fosse a Constituição da República, iria abrir uma pequena brecha na Lei-mãe para que fosse privatizado um bom pedaço do nosso sistema prisional.”

Na verdade, se o país privatiza uma parte da Saúde e da Educação; se podemos privatizar os transportes; se já temos inúmeras instituições estratégicas as serem guarnecidas por indivíduos armados do sector privado, porque não se podem privatizar também algumas  prisões?

Quem sabe se, privatizando-as, não seria solução para a sua rentabilidade e melhor aproveitamento dessa mão-de-obra jovem que entra no mundo da criminalidade alegando a falta de ocupação?

Quem sabe se não seria a melhor forma de resolver o eterno problema das enchentes nas cadeias?

Quem sabe se não seria um bom remédio que pudesse diferenciar as prisões das pensões, garantindo que as pessoas produzam para o seu sustento? Será que a nossa legislação é tão rígida assim, a ponto de não abrir essa pequena brecha?

Forte abraço.

Sauzande Jeque

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