Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

O FILÓSOFO francês Joseph-Marie Maistre (1753-1821), um ferrenho defensor do regime monárquico e crítico fervoroso da Revolução Francesa, tornou-se conhecido a nível mundial ao inventar a famosa expressão “Cada Povo tem o Governo que merece”. Esta simples frase foi pronunciada no longínquo ano de 1811 e tornada pública 40 anos mais tarde.

O filósofo pretendia com a expressão, dizer que é a decisão popular – que pode estar alicerçada em factos correctos ou errados, que podem determinar a escolha dos maus ou dos bons políticos, aqueles que irão o representar durante o processo de governação.

Anteontem, 10 de Outubro, cidadãos residentes em 53 cidades e vilas municipais foram chamados a escolher aqueles que durante os próximos cinco anos irão gerir os destinos dessas autarquias. O mesmo que dizer, as pessoas que foram escolhidas terão a responsabilidade de procurar resolver os problemas que grassam nesses espaços geográficos – a reabilitação ou construção de vias de acessos; a reabilitação ou construção de mercados, a criação de condições para garantir o saneamento do meio ambiente, a limpeza e recolha de resíduos sólidos; a reabilitação ou construção de sistemas de abastecimento de água; a reabilitação ou construção de unidades sanitárias; a reabilitação ou construção de cemitérios; a construção de muitas outras infra-estruturas indispensáveis para a vida das pessoas que habitam os espaços que foram considerados merecedores da classificação de autarquias.

O pleito foi antecedido de uma campanha de pedido de voto num exercício que teve de tudo. Desde promessas irrealistas, por isso irrealizáveis e desaguando em incongruências de bradar os céus – estou a lembrar-me de um candidato que prometeu promover uma agricultura sustentável (numa cidade) cujos resultados concorreriam, não apenas para alimentar os munícipes, como também para engrossar as exportações nacionais em cereais.

As promessas de uma escola por bairro, ouvidas de um candidato na Matola, os campos de futebol na proporção de um por dois bairros na Maxixe, as 2000 casas para jovens no segundo ano de mandato, prometidas por um candidato em Nampula, são alguns dos exemplos a reter e que terão sido sufragados por cada um de nós no silêncio da mesa de voto durante aqueles 20 a 30 segundos, ou um minuto, dependendo da capacidade de tomada de decisão de cada eleitor…

Os cidadãos eleitores na generalidade, quer especificamente aqueles que habitam as cidades e vilas municipais ou autárquicas, quer aqueles que vivem no resto do todo território nacional, estão sedentos de ver os seus problemas resolvidos. Sim, porque ao cidadão cabe o dever de pagar impostos – que é a sua contribuição enquanto cidadão, para a construção de estradas, hospitais, escolas, contratação de professores, enfermeiros, médicos e de funcionários para a prestação de muitos outros serviços, aquisição de meios de transporte públicos, entre outros.

Entretanto, perante as promessas dos candidatos, os cidadãos, convencidos de que as suas dificuldades têm dias contados com a concretização dessas promessas, acabam votando favoravelmente neste ou naquele outro político.

Entretanto, chegado ao poleiro o “salvador” nada salva. Algumas vezes a sua missão termina de forma inglória, depois de afundar o barco, como sói dizer-se.

É só na altura do primeiro balanço que o eleitor percebe que “meteu água” ao ter votado num determinado candidato. Mas já é tarde. Nada mais há a fazer. E aí “entra” o filósofo a lembrar ao cidadão que a culpa de todos os falhanços é única e exclusivamente sua; pois, teve espaço e tempo para avaliar a seriedade ou não das promessas que vinham sendo feitas. É, de facto, a decisão popular – que pode estar baseada em factos correctos ou em factos errados, que determina ou pode determinar a escolha dos maus governantes.

Marcelino Silva

 

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