Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

Entre os ganhos de Moçambique, resultantes da cooperação com o Brasil (de Lula da Silva), está o projecto de exploração do carvão de Moatize, em Tete. Não apenas do ponto de vista da renda fiscal para os cofres do Estado como também do ponto de vista do melhoramento das condições de vida das comunidades locais. Com efeito, muitos dos cidadãos residentes na zona são empregados da empresa que explora aquele recurso. Por outro lado, a empresa financiou a construção de infra-estruturas sociais, tais como escolas, unidades sanitárias, etc.

Do outro lado do Oceano Atlântico está Angola, país que viu as suas relações com o Brasil a registarem uma subida exponencial, especialmente a partir de 2003. O facto ocorreu depois de um longo período de relacionamento de baixa intensidade. Pode-se dizer, aliás, que a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso, terá sido o momento de transição – da fase baixa para uma fase mais acelerada.

Foi, portanto, a partir do governo de Luís Inácio Lula da Silva que as relações entre os dois países conheceram um impulso significativo. De resto, vários analistas consideram que o envolvimento pessoal de Lula contribuiu enormemente para o estreitamento desses laços. Lembre-se que o então presidente brasileiro visitou oficialmente Angola três vezes (2003, 2007 e 2010). Assinou 45 acordos bilaterais com Angola, para além de ter se posicionado claramente como um interlocutor activo entre a América do Sul e Países Africanos.

Angola recebeu durante o consulado de Lula da Silva uma grande atenção por parte de empresas brasileiras, atraídas por oportunidades de negócio em áreas de exploração petrolífera, diamantes, construção de infra-estruturas, financiamento de exportações de bens e serviços de infra-estruturas por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento. É conhecido o peso que empresas de construção tais como Odebrecht, Camargo Correa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, tiveram e ainda têm no xadrez do mercado de imobiliária em Angola.

É do domínio público que são os políticos – os governos, que abrem as portas para que empresas, homens de negócio e outros agentes económicos possam encontrar espaços para realizarem os seus negócios num determinado país. Foi compreendendo “isto” que Lula da Silva investiu todo o seu peso e influência para assegurar a entrada de empresas brasileiras, tanto em Angola, como em Moçambique.

Com Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, como vai ser? Acredito que não sou o único a fazer esta e outras perguntas motivadas pelos receios de um futuro nebuloso. São muitas as dúvidas e elas resultam da percepção de que sendo JB um defensor dos valores políticos da direita, é legítimo pensar que poderá rasgar autenticamente os acordos assinados com países que seguem os valores da esquerda, onde há mais Estado a velar pela maioria da população. E o Partido dos Trabalhadores, então liderado por Lula da Silva, defende os valores da esquerda, portanto socialistas, precisamente a ideologia combatida pelo novo presidente.

De resto, foi perceptível, durante a campanha eleitoral, a inclinação do novel chefe do Estado brasileiro para o poder do capital. Foi visível, aliás, o apoio que recebeu dos representantes deste. Lembre-se, por exemplo, que um dos seus apoiantesMarcos Aurélio Carvalho, empresário do ramo das tecnologias de comunicação, ajudou a divulgar mensagens falsas contra o seu adversário, Fernando Hadad. Como recompensa o dito-cujo integra a equipa de transição do novo governo.

Lembre-se também que nos esforços para eliminar o que resta de influência do Partido dos Trabalhadores do Brasil na sociedade brasileira, JR vem dizendo de forma reiterada que os “vermelhos” (membros do Partido dos Trabalhadores) serão varridos do país e que outros tantos irão apodrecer na cadeia. Ora, como acima disse, praticamente todos os últimos acordos comerciais foram assinados por esses “vermelhos”. Muitas representações diplomáticas abertas em África foram abertas pelos “lulitas”. E agora, como será?

Marcelino SilvaEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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