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Limpopo: Por favor, ó Abel!!!! - César Langa

 

QUANDO começou a caminhada rumo ao CAN-2019, a realizar-se nos Camarões e os Mambas tiveram uma épica façanha, trazendo do inferno de Ndola uma tão saborosa quanto histórica vitória diante da Selecção da Zâmbia, todo o povo entrou em festa como se mesmo Moçambique já estivesse presente na grande festa na terra de Roger Milla, Samuel Eto’o, Thomas Nkono e companhia.

E não era por pura emoção. Havia muita razão. É que nunca antes havia sido escrita tamanha proeza. Nos confrontos entre os dois combinados (Mambas e Chipolopolo e antes KK11), nunca Moçambique havia levado a melhor, pelo menos em competições oficiais. Dentro e fora do país. Por isso, havia mesmo que festejar de forma exuberante o feito do Estádio Levi Mwanawassa.

Porque Moçambique e moçambicanos amam a sua selecção e se identificam com ela, o desaire de Julho de 2017, frente ao Madagáscar, em pleno Estádio Nacional do Zimpeto, ficou esquecido. Todo o estádio ficou pintado de vermelho, quando foi a vez de receber a Guiné Bissau, para a segunda jornada. Todos acreditávamos nestes rapazes, porque, de facto, eles têm potencial. Mas a desilusão tomou conta de todas as almas que ostentam o gentílico deste pedaço do Índico, justamente ao apagar das luzes. Onde esteve a concentração que se recomenda, ó Abel?

Veio a dupla jornada, desta feita, frente à Namíbia. Primeiro, em solo pátrio, na partida que seria de redenção e reconciliação entre os moçambicanos, que ainda se ressentiam das sequelas nos ferimentos do seu orgulho. Até porque tudo começou bem, comandando a marcha do marcador, mas, uma vez mais, no último minuto, o desengano volta, em forma de projéctil, a espectar os nossos corações. E a mesma pergunta se repete: onde esteve a concentração que se recomenda, ó Abel?

Trémulos quais cordeiros diante do lobo, lá se viajou para Windhoek, para um jogo que serviria para a restauração de esperanças que a matemática teima em nos iludir sobre a sua existência, nesta caminhada prestes a atingir a meta. Os Mambas aguentaram a primeira parte, mas, na derradeira etapa, os namibianos marcaram o golo que lhes conferiu a festa e fazerem das nossas esperanças a sua convicção na qualificação para os Camarões. Muita tristeza junta, não é, ó Abel?

Cegados por esta matemática que mantém miraculosamente aberta a possibilidade de estar de novo num CAN, nove anos depois, voltamos, próximo domingo, a mais um encontro com a Zâmbia. As redes sociais anteveem este jogo como “filme de terror”, porque, de facto, todos estamos tomados pelo medo, ainda que, de tempos em tempos, a matemática me faça repousar de constantes pesadelos.

Pode ser domingo, dia da leitura da sentença. Também pode ser que se adie para uma data a anunciar. Curioso é que os Mambas são os juízes da própria causa e poderão ser eles mesmos a lê-la. Cá, do meu cantinho, nas bandas do Limpopo, só me resta pedir e pedir: por favor, ó Abel!!! Vamos lá jogar limpo(po)...

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