Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

É verdade que são contextos muito diferentes. Nessa altura o partido era único. Único guia dos moçambicanos. Agora os tempos são outros. Os partidos são vários e todos eles chamam a si o guia dos moçambicanos. Mesmo que para o efeito não tenham sido sufragados pelos próprios moçambicanos.

Se os tempos actuais fossem iguais aos tempos que já lá vão, de partido único (não sou saudosista de partido único), muitas práticas ilícitas, predominantes nos mais variados sectores de actividade não teriam lugar.

Há muita vagabundice na Saúde, onde se desviam medicamentos do Serviço Nacional para a venda no “dumba-nengue”. Há venda de vagas para a admissão ao Ensino Superior. Para se ser contratado professor é preciso pagar alvíssaras, tal como se paga propinas para progredir na carreira. Fundos públicos são desviados dos bancos e de outras instituições sem que os seus autores sejam exemplarmente responsabilizados.

O país está infestado de ladrões, bandidos, indisciplinados, preguiçosos, desleixados. Nas ruas arrancam-nos os telefones, brincos, dinheiro e outros pertences. Nas escolas os meninos consomem bebidas alcoólicas e fumam não só cigarros como também outras substâncias proibidas. A ociosidade tomou conta de muitos funcionários públicos. O espírito de “deixa andar” prevalece no funcionalismo público. Nos confins de Cabo Delgado reina a matança indiscriminada de pessoas. Bandos actuam a seu bel-prazer, pondo em causa a ordem pública. Tudo isto mete nojo. É como se os moçambicanos tivessem lutado durante anos para implantar toda esta bandalheira no seu próprio país.

No seu tempo, Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente, declarou “solenemente” guerra ao inimigo interno e o inimigo interno são todos os autores morais e/ou materiais dos males acima descritos. Acredito que se Samora fosse vivo cortaria o cordão umbilical que liga muitos concidadãos à ladroagem, ao banditismo, à preguiça e ao desleixo e a todo o conjunto de males que enfermam a sociedade.

Nesse discurso, que muito recentemente circulou pelas redes sociais, Samora Machel diz, peremptoriamente, que é preciso cortar esse cordão umbilical, se necessário com catana ou machado. Normalmente tal cordão corta-se com tesoura.

Samora pretendia com este discurso, ríspido, impor uma disciplina de ferro para travar a desordem que tomava conta das instituições públicas e de todo o país, em geral.

Como prosseguir a guerra ao “inimigo interno” declarada na altura pelo primeiro estadista moçambicano? Uma das formas, julgo eu, seria acabar com a cultura de impunidade nos serviços; acabar com a promoção da mediocridade; acabar com o pagamento de propinas para ascender a cargos ou para a garantia de emprego. Até porque na actualidade existem leis que regulam todos estes processos. O errado é que tais leis estão engavetadas, prenhes de teias de aranhas.

Por último, vou-me socorrer de Mahatma Karamchand Gandhi (1869-1948) para definir o que nos destrói, como seres humanos: política sem princípios, prazer sem compromisso, riqueza sem trabalho, sabedoria sem carácter, negócios sem moral, ciência sem humanidade e oração sem carácter.

Até para a semana!

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