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Categoria: Opinião & Análise
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NAsemana que termina o “Notícias” publicou uma entrevista com a directora provincial de Ensino Superior, Ciência e Tecnologias em Sofala, Ana da Graça, na qual, entre vários assuntos, ela abordou a questão das bolsas de estudo para estudantes moçambicanos que pretendam continuar a sua formação no estrangeiro.

Devo desde já dizer que fiquei alarmado quando a directora Ana da Graça afirmou taxativamente que “em 2017 tivemos uma visita da embaixada da Austrália que estava a fazer uma digressão pelo país para promover as bolsas e dizia que um dos maiores constrangimentos era a língua, mas Moçambique fazia parte de 11 países aos quais a Austrália dá bolsas de estudo e que tem anualmente 400, mas Moçambique, o máximo que atingiu foram 13 bolsas. Isso é um desperdício. É crítico, não conseguimos preencher nem um por cento, são oportunidades que um dia vão passar.”

Ana da Graça apontava ainda que, regra geral, para concederem bolsas de estudo, os países de expressão da língua inglesa exigem que os estudantes tenham não só conhecimento, mas também um certificado da língua que lhespermita ir estudar facilmente.

Ela citava os casos da Austrália, da Inglaterra e da Índia, este último, aliás, um dos países que mais bolsas concede aos moçambicanos.

 “O inglês é uma língua que temos de estudar porque todos os nossos vizinhos são de expressão inglesa, portanto devemos nos preocupar em comunicar pelo menos em duas línguas, porque a nossa situação pode complicar-se. Moçambique faz parte da “Commonwealth”, e esta língua faz parte do ensino no nosso país. É preciso que as pessoas se esforcem para que não percam estas oportunidades”, recomendava a directora.

E como já não podemos corrigir a história, digo eu, transformando-nos num país de expressão inglesa ou francesa, porque nesta última também há muitas “portas” abertas, só nos resta escrever outra história.

De que maneira? A directora Ana da Graça não só levanta o problema como aponta alguns caminhos, nos seguintes termos:

“Se tiver um sonho de estudar fora e obter bolsas de estudo, que coloque na sua perspectiva de formação pré-universitária a sua capacitação nas línguas inglesa ou francesa”.

Entendo que esta seja uma recomendação aos próprios estudantes, mas provavelmente tenhamos que fazer muito mais como Estado e como Nação porque as bolsas da Austrália, da Inglaterra ou da Índia destinam-se a formar moçambicanos para servirem ou ajudarem no desenvolvimento do seu próprio país.

Na verdade, o Sistema Nacional de Educação já contempla o ensino das línguas inglesa e francesa.

Contudo, se os graduados, mesmo assim, não se apresentam habilitados a concorrerem a bolsas de estudo nestas línguas, é porque algo ainda temos que fazer, é porque ainda não estamos a fazer o suficiente para capacita-los nesse sentido. 

Impõe-se, pois, que encontremos algum antídoto para acabarmos com estes desperdícios. O país vai agradecer!

 

 Eliseu Bento