Dialogando: 7 de Abril pode virar dia de “guerra” doméstica  (Mouzinho de Albuquerque)

 

CELEBROU-SE no país, no passado domingo, mais um 7 de Abril, o dia da mulher moçambicana, efeméride que este ano coincidiu com a passagem dos 48 anos da morte de Josina Machel, heroína nacional, vítima de doença, no auge da luta armada de libertação nacional.

Sabe-se que a luta armada de libertação nacional teve na mulher, a mais sólida base de apoio, não só na retaguarda, mas também na linha da frente. Daí o reconhecimento de Josina na sua luta pela emancipação da mulher moçambicana.

Pode ter havido mais uma vez situações anómalas, na celebração do 7 Abril deste ano, como aquelas de falta de pudor que assistimos em alguns bares e restaurantes da cidade de Nampula, em consequência, principalmente, do consumo excessivo e abusivo de bebidas alcoólicas. Mas, o mais importante é termos constatado o assumir cada vez mais das moçambicanas sobre a importância e significado histórico desta data.

Não há dúvidas de que da forma como as mulheres deste país preparam e organizam-se, com vista à celebração do 7 de Abril, em cada ano, constitui, igualmente, uma demonstração inequívoca da sua lealdade à nossa rica tradição patriótica, que foi cimentada durante os 10 anos da luta. 

Do que se constata, é que hoje, mais do que nunca, a mulher moçambicana continua a contribuir de forma activa, nas actividades produtivas, intelectual e política da sociedade, lado a lado, com o homem, buscando todos os dias uma igualdade baseada no respeito e no reconhecimento do seu papel que, cada vez mais, deve ser valorizado.

A valorização e dignificação desta data, torna-se mais salutar e prestigiante, quando se percebe que a actual realidade mostra que a mulher moçambicana está cada vez mais a conquistar o seu espaço no ambiente profissional e a participar nas actividades de construção e desenvolvimento do país nos vários sectores.

 É verdade que ainda existem muitos desafios por vencer, como a violência doméstica, casamentos prematuros, analfabetismo, pobreza e outros, porém, é preciso sublinhar que fruto da sua luta, já temos, por exemplo, governadoras provinciais, directoras de vários sectores de actividade, administradoras distritais, gestoras de empresas e noutros cargos públicos e privados.

Entretanto, é detestável, a postura grosseira e de falta de consciência social tomadas por algumas mulheres, que mancham as celebrações da data, que como está dito, “abriu” caminho para a luta por uma sociedade equilibrada no que se refere particularmente aos direitos e deveres para mulheres e homens. Por exemplo, foi com profunda tristeza que ouvimos a notícia de que uma mulher terá assassinado o seu próprio marido, em pleno dia 7 de Abril, algures na província do Niassa, por supostamente não lhe ter comprado a capulana alusiva as festividades.

Se a mulher moçambicana vai quebrando barreiras da vida, o que é bom, na perspectiva de, fundamentalmente, estabelecer equidade do género na sociedade, combatendo a prevalência do preconceito de superioridade do homem, não nos parece que isso possa ser efectivamente possível matando ou “regando” com água quente o seu próprio marido, alegadamente por não ter comprado capulana para ela celebrar o 7 de Abril.

Por favor, mulheres do nosso país, não transformem o 7 de Abril, em dia de “guerra” doméstica, mas sim, de luta contra ela. Não façam o 7 de Abril, dia de luto nos vossos lares. Saibam que com essa “guerra” e luto, nunca valorizarão e dignificarão os feitos heróicos da Josina Machel, cuja personalidade foi também determinante na luta pelos direitos da mulher, em ajudar a compreender que a mulher moçambicana devia ocupar o seu lugar na sociedade e deixar atrás o machismo.

Qualquer atitude agressiva que possam assumir, em tempos de celebração deste dia consagrado à mulher moçambicana, nunca será absolutamente o melhor tributo que podem render áqueles que, em horas de heróica virtude, como a Josina Machel e outras companheiras de luta, deram tudo, por um Moçambique livre da dominação estrangeira.

Contudo, acreditamos que a mulher moçambicana está ganhando alento, para enfrentar os obstáculos ao desenvolvimento do país, num ambiente particularmente de paz, democracia e social. Até porque Moçambique sempre honrou a sua gente, habituada a não deixar-se vencer pelo pessimismo e a incerteza, mesmo nos momentos mais difíceis e complexos, como os que estamos viver actualmente, criados pelas dívidas ocultas e ciclone Idai, na zona centro.

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