CONSONÂNCIAS: Milagreiros procuram-se (Sauzande Jeque)

 

VINHA escrito em jornais, citando agências noticiosas credíveis,  em meados de dois mil e treze, que as autoridades responsáveis pela segurança da aviação civil dum país vizinho de Moçambique, tinham decidido proibir as bruxas, que não voassem muito alto, com os seus meios de transporte tradicional nocturnos.

A notícia que foi divulgada em primeira mão, pela emissora de televisão daquele país e reproduzida em língua francesa,  explicava que as vassouras das bruxas deviam ser consideradas pelo governo local, como qualquer outro meio de transporte aéreo. Assim sendo, "uma bruxa com a sua vassoura não devia voar acima dos 150 metros de altura".

A recomendação estava a ser dada pelo director de marketing da agência de aviação civil. Certamente para que as vassouras não se chocassem com os aviões normais. Este dirigente esclarecia na altura que nenhuma multa será aplicada às bruxas que respeitarem esta norma, mas alertava que quem voasse acima do limite, corria o risco de pagar uma multa equivalente a quinhentos mil rands.

Lembrei-me desta notícia quando acabava de visitar o distrito de Massinga província de Inhambane. Depois de pisar a zona atravessada pela Linha do Trópico de Capricórnio, fiquei com a impressão de que os geógrafos devem conhecer alguns fenómenos estranhos que ocorrem periodicamente por ali.

Mas, são simples medos de um cidadão que nasceu e vive num meio africano, como o nosso,  cercado por mitos e superstições. Na realidade, a ciência não esconde nenhum fenómeno estranho. Quem deve estar a esconder alguma coisa, na verdade, são os nhamussoros (curandeiros) locais, do presente ou do passado. Posso afirmar com alguma segurança de que a maior quantidade dos acidentes de viação mais violentos que acontecem na província de Inhambane, ocorrem, com maior frequência, ao longo do distrito de Massinga.

Habituado a ver desmaios milagrosos nas escolas, em que se recorre aos curandeiros que ajudam a abonar os espíritos malignos, estou quase induzido a sugerir que se façam rezas especiais naquele troço da EN-1,  que atravessa Massinga.

Eu acredito que nos arquivos de quem está ligado ao assunto, estatísticas poderão confirmar o elevado nível e a espectacularidade dos acidentes de viação que fustigam aquele pedaço de estrada.

Na altura em que, por lá passei, muito próximo do Trópico de Capricórnio, um invulgar acidente de viação, deixou-me de boca aberta. Há, sensivelmente, cinquenta metros da estrada, um RAVA estava fixamente encavalitado entre um coqueiro e uma árvore natural, como se um enorme guindaste o tivesse colocado forçosamente ali.

O carro estava completamente amolgado no meio daquelas duas plantas enormes. Ao redor, não se enxergava o rasto da viatura a partir do centro da via até àquele local distante. Visto o carro naquela posição e naquele local, era difícil saber se ia para o norte ou para sul de Inhambane.

Felizmente, naquele caso, apesar da espectacularidade do acidente, fiquei a saber que o automobilista, tinha saído, completamente ileso. Mas fica o desafio aos nhamussoros e às igrejas milagreiras, que sem aguardar convite especial, façam qualquer coisa para expulsar os espíritos impuros que semeiam luto e destruição naquela zona de Massinga, província de Inhambane.

Forte abraço

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