Sigarowane:  E tinha que ser assim tão tarde!  (Djenguenyenye Ndlovu)

 

PODE até acontecer, mais tarde ou mais cedo, que se venha a dizer que afinal não se tinha dado a conclusão desta babuserial série? Sim. Não há certeza, que nestas coisas de andar, e porque um turbilhão de viveres, há momentos que ao contá-los podem ser esquecidos alguns retalhos. Mas como estão lá na caixa, ou numa conversa de reviver podem ser lembrados e porque nada de egoísmos, virem a este modestíssimo espaço deste dia de semana. Mas para já, isto termina mesmo hoje, que a vagabundagem espera, faz tanto tempo.

O velho é sempre de apaixonar. E a paixão pelo Old Havana toma a todo e qualquer humano que a aporta. Que muito do que nele suscita paixões pertenceu a antigos muito antigos e ainda hoje a paixão mais ardente de novos muito novos. E é disso que mais vive o misto Havana. Que mais vive Cuba. De modo muito intenso, mesmo com mais de meio século de bloqueio económico pelo vizinho mais vizinho. Pelo vizinho mais poderoso. Mais. Não tem mágoa por isso. Tão-pouco dor. É de lá. Dos bloqueadores. Que vem a não menos saborosa/gostosa e vital facturação que faz de Havana um lugar de carinho, de sorrisos.

É simplesmente deslumbrante fazer um passeio pela Havana velha. Por aquelas ruas bem estreitas que recebem camiões, certamente dos anos quarenta, a descarregarem legumes e vegetais nos agradavelmente limpos bazares. São camiões muito gordos e grandes. De uma fealdade que os torna de invulgar graciosidade. Noutros quadrantes poderiam ser peças de museu. E seria igualmente receita do mesmo modo que em Old Havana produzem renda. Havana como em toda a Cuba alimentam e engordam almas.

Próximo desses bazares, casas de pasto de frequência internacional, de frequência local, como noutros lugares do mundo. Mas não é de chegar e procurar mesa vazia e ocupar, que raramente existe. Tem de fazer uma reserva, nalguns casos com bons dias de antecedência. Nas paredes das salas dessas casas, retratos de personalidades mundiais que visitam, e lá comem, e lá bebem, e lá charutam. Um desses restaurantes, muito concorrido e sempre á reserva, teve a honra de servir o ex-presidente americano, Obama e esposa. Contam que de visita a Cuba, a ilustre figura mundial mostrou o desejo de passar uma refeição no tal restaurante de fama internacional pelas suas comidas. E ao sítio foi conduzido e a esposa degustou do espanhol vinho S. Cristóvão. E vinho dessa marca também caiu na mesa. Por sinal na mesma em que o casal Obama tomou a sua refeição. Contaram. Se marketing, verdade é que a casa é famosa pelas suas comidas e suas variedades. Honrado há-de se ter sentido o então presidente americano, que sempre mostrou ser um homem que gosta de viver a vida e carregá-la de alegria. Também de amor. E então de felicidade.

Charutos são outro atractivo para os clientes, sobretudo turistas ou da mediana á alta local. Nas paredes estão fotografias de outras personalidades internacionais ligadas á política, cultura e sabe Deus a que mais, que as nuvens produzidas pelos charutos nebulavam tudo ou então por conta do run à mistura com o licor da mulata enquanto não chega a conta. Olha que os charutos são por conta casa. E pode fumar quantos quiser. Sobretudo se para lá for levado por um amigo/conhecido do dono da casa. Cozinheiro, também. E no mercado custam o que custam. Os charutos.

É daquelas instâncias em que se tem a unidade produtiva em baixo e a residência por cima. Tudo debaixo do olho, embora por lá não se fale do diabo a tecê-las. Mas dinâmicas são dinâmicas.

Esta Havana, que caminha para os seus quinhentos anos, de vida ou de existência. Como queira meu bem. Tem a empreitada de se reabilitar/requalificar ou o que quer que queiram fazer a Old Havana em homenagem a todo esse viver, esse existir. Mas…e como ficará depois? Será mesmo que há-de ser de dizer “isto era lindo”.“Tinha um toque especial, mágico”.“Deveria ter passado por aqui noutros tempos”. Ou será apenas uma reabilitação de estruturas mantendo o belo de há quinhentos anos! Lá os donos sabem o que é que aquilo vale. Sobretudo no que a bolsa diz respeito. E então há-de ser lindo. E felizes sejam os que hão de ver a Havana Velha já Jovem. E porque tudo será só Havana.

Por enquanto os charutos, os runs, os licores e a alegria de um dia ter vivido. De ter experimentado o gozo que é, que dá ser velho.

Mas e a confissão: era completamente maluca a ideia que se tinha sobre Havana. Sobre Cuba e a cubania.

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