Timbilando: Na aldrabice é que está o ganho - Alfredo Dacala

O nosso modo moçambicano de ser e estar nas coisas, por vezes, é aproveitado por gente daqui e outra que não é daqui, para nos aldrabar e muito bem, ficando-se a choramingar, mas sem poder fazer nada.

 

Há dias vi uma reportagem narrando as clonagens de cartões de banco e os casos dos que assediam gente sem prática de uso de cartão nos ATM.

Contou-se, no caso, a história de um indivíduo que tinha na sua posse cerca de 50 cartões. Aliás, quando foi detido pela Polícia foi apanhado com essa quantidade. Cartões de várias cores e de vários bancos.

O larápio disse que muitos dos cartões tinham sido “arrancados” aos verdadeiros donos. É que junto dos ATM dos bancos, um pouco por todo o país, estaciona gente sem nada para fazer senão tentar desgraçar os outros. Então caça-se pensionistas, gente inabilitada em operações com esses cartões e “velhinhos”, que são assediados para se deixar serem “ajudados”. O fim dessa “ajuda” é ficar “lhes” com os cartões de forma subtil. O cartão é trocado de um jeito imperceptível.

O indivíduo aldrabado, pensando que está a ser ajudado, só se vai aperceber da marosca em que se meteu quando já o dinheiro tiver acabado na sua conta, sem o tiver levantado sequer. Se tiver posto os olhos nele.

Nestas situações muitos são as vítimas.

Ao outro dia uma idosa contava que lhe desaparecera da conta todo o dinheiro, que ela acumulara com tanto sacrifício. Porque um dia um indivíduo se apresentara, aparentemente, para ajudar e ela tinha-lhe passado o cartão para lhe fazer “todas aquelas operações complicadas”. Só que lhe devolvera um outro cartão qualquer e não o dela. O ladrão ficara-lhe com o “PIN” e tudo.

Assim, durante dias o indivíduo levantara todo o dinheiro, deixando-a na pobreza. Só quando da outra vez sua filha tentara fazer mais uma operação descobrira que aquele não era o cartão da mãe, vendo o nome dela estampado. Já era tarde demais. O indivíduo, desconhecido, torrara-lhe o dinheiro.

Casos destes são numerosos e as pessoas só lhes detectam, infelizmente, tarde demais. É que nestas situações a pessoa nem sequer repara no cartão que lhe acabam de devolver, se é ou não dela. Só sabe dirigir-se ao balcão para reclamar.

Uma das coisas que se podia fazer, em caso de não estar assimilado com os processos de uso de cartões bancários, seria pedir alguém de inteira confiança para lhe ajudar, mas, claro, sem deixar o cartão ficar na sua posse. Ou já no banco pedir aos agentes de segurança que ali trabalham para ajudarem no processo.

Também estar atento ao movimento de pessoas junto do ATM. Há gente que fica sem cartão porque foi roubado por alguém que por ali entrou e distraiu quem estava a fazer operações bancárias na máquina.

O larápio de quem estávamos a falar acabou nos calabouços por tentar aldrabar uma agente da Polícia, trocando-lhe o cartão que acabara de obter no balcão. A agente descobrira imediatamente a falcatrua e tinha levado o aldrabão à esquadra.

Todo o cuidado é muito pouco para estes “auxiliadores” de ATM de meia tigela, que afinal só querem ficar com o nosso pouco dinheiro. 

Alfredo Dacala- Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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