De vez em quando: Homenagear Lilinho nunca é demais - Alfredo Macaringue

Um homem desta envergadura merece ser homenageado todos os dias. Por todos os que o respeitam. Sem bajulações, porque a história de Marcelino dos Santos foi largamente feita desprovida de preconceitos. Posso até não ser uma das pessoas merecedoras de falar sobre uma figura que pertence à luta de libertação que todos nós travamos. Cada um à sua maneira. Aliás,  nem tenho nada para dizer porque sou pequenino demais para o fazer. Basta-me evocar o nome dele, já me dou por feliz, porque ele tem uma forma peculiar de estar que eu admiro, mesmo de longe.

Nunca estive perto de Lilinho da Micaia, mas quando ele ainda falava com vigor, eu ficava em sentido. Abria todos os meus ouvidos, não propriamente para ouvir o que ele dizia, mas para escutar a sua voz particularmente poética. O sorriso deste homem é outra coisa que me contagiava.  Marcelino tem um sorriso de artista. Contudo, os passos que damos na vida chegam a um ponto em que começam a recusar, e não podemos fazer mais nada, senão esperar.

Sinto-me tentado a dizer que Marcelino dos Santos é uma das pessoas mais livres dentro da Frelimo a nível do topo. E essemodus vivendi pode ter contribuído para que ele se sentisse uma pessoa feliz. Não tinha medo das massas, nem dos indivíduos. O homem adorava sentir o sabor do ar natural, onde muitas pessoas já não se espantavam com ele por ser alguém habitual. É dessas coisas que ouso falar, mesmo sem mandato, nem capacidade de testemunhar com provas em tribunal.

Apeteceu-me escrever qualquer coisa sobre Lilinho da Micaia ou Kalungano, que agora vive com saudade das mamanas dos mercados. Sentado numa cadeira de rodas que limita os movimentos de alguém que gostava de ambientes como do “Khuana”, ali na parte mais sensível de Xipamanine ou Chamanculo. Marcelino dos Santos ia para ali sem galões. Misturava-se com a malta. Mas tudo isso as pessoas já disseram, eu apenas estou a repetir aquilo que já foi dito.

Há grandes músicos, por exemplo, que cantam as músicas dos outros. Porque é que eu, tão pequenino que sou, não posso repetir aquilo que os outros já disseram? Sem acrescentar nada.  Aliás, o que eu queria acrescentar mesmo é que quando oiço falar agora de Marcelino dos Santos, na condição em que se encontra, sinto que há um pedaço muito forte que está a desmoronar na integridade da Frelimo.

Parabéns, Lilinho, pelos 90.

A luta continua!

Alfredo Macaringue

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