TENHO o privilégio de sair hoje à rua num dia muito especial para África e para os africanos, o 25 de Maio, sendo que as celebrações deste ano têm como foco os refugiados e as pessoas deslocadas internamente.

Reza a literatura afim que o dia 25 de Maio é considerado o Dia de África, porque foi nesta data, em 1963, que se criou a Organização de Unidade Africana (OUA), na Etiópia, com o objectivo de defender e emancipar o Continente Africano.

Já em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana (UA), mas a celebração da data manteve-se, recordando então as lutas pela independência da colonização europeia e contra o regime do “apartheid”, instalado na África do Sul, assim como simboliza o desejo de um continente mais unido, organizado, desenvolvido e livre.

Consta que em alguns países como o Gana, o Mali, a Namíbia, a Zâmbia e o Zimbabwe, o Dia da África é feriado.

A propósito da África do Sul, agora livre do tal regime de “apartheid”, não podia deixar de assinalar que precisamente hoje toma posse um novo Presidente da República, Cryil Ramaphosa.

À parte essa questão dos refugiados, não menos importante, que reflexão faríamos à volta de África e do Continente Africano a esta hora do campeonato? A esta hora em que as lutas pelas independências ou pela descolonização, desiderato inicial, já passaram à história?

Quanto a mim, qualquer reflexão honesta que se pretenda fazer a esta hora teria que descambar num novo colonialismo, o colonialismo imposto pela corrupção generalizada por todo o continente, não raras vezes promovido pelas próprias elites governativas.

Escrevo, por exemplo, estas linhas numa altura em que o Malawi, aqui na nossa vizinhança, acaba de realizar mais um processo eleitoral.

É interessante notar que todos os presidentes ascendem ao poder proclamando o combate à corrupção como sua prioridade, para moralizar a sociedade, “blá, blá, blá”, contudo, chegam ao fim dos seus mandatos eles próprios debaixo de acusações de envolvimento em actos de corrupção.

Foi assim com Peter Mutharika que combateu Joyce Banda pelo “cashgate”, mas ele também chega ao fim sob acusação de envolvimento no recebimento de propinas num contrato multimilionário para fornecer alimentos à polícia.

Cito o Malawi apenas por uma questão de actualidade porque, por toda esta África adentro, a corrupção está institucionalizada.

Como alguém dizia, em África o cidadão honesto é muito estranho na sociedade, torna-se um anormal. O cidadão africano normal é aquele que pratica actos de corrupção! Mesmo em sua própria casa, será melhor recebido pela esposa ou pelo esposo se trouxer algum produto alcançado por essa via.

Há dias, ouvi o nosso Provedor da Justiça a falar no Niassa, perante funcionários do Estado, nos seguintes termos: “o que é isso de dizer, então, fala como homem! Cidadão não é para falar como homem, cidadão é para ser servido!”

É este, pois, o novo colonizador de África. O colonialismo da corrupção.  

Eliseu Bento

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