Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

AS relações entre automobilistas e peões no país, sobretudo nas cidades, estão de tal modo degradadas, que nem se cumpre o que se aprende nas escolas de condução, nem o que é, vulgarmente praticado, quando ocorre um acidente de viação.

Uns e outros parecem estar de costas voltadas para as atitudes normais de socorro de vítimas em acidentes, que ocorrem na estrada, tanto envolvendo peões, como automobilistas. Pelo que se vê, são poucos os que se mantêm firmes em solidariedade com o próximo, porque o resto parece “estar-se nas tintas” quanto a isso.

É normal ver peões circulando às avessas do que está preconizado no Código da Estrada. Anda-se tão mal, que, como dizia alguém, “as pessoas só têm medo da chuva e não de carro”. O automobilista tem que vasculhar a estrada, porque esta está repleta de pessoas circulando na via, sem qualquer preocupação de se afastar da estrada, do veículo, pelo contrário, parece até que estão a desafiar o automobilista, como que a dizer, “bates-me e logo vês”.

Um destes dias assisti a um caso bizarro, numa destas nossas avenidas, em que há um intenso movimento de carros e alguém quis atravessar a estrada à corrida, como sempre acontece. Entre uma travagem brusca e tentativa de evitar bater o peão, o automobilista pisou-o num pé com as rodas fronteiras do seu carro. Este caiu combalido. Como sempre, houve uma aglomeração de gente curiosa e que “sabe tudo do trânsito e do que aconteceu” e muitos deles tentando roubar coisas do condutor, enquanto se tentava socorrer a pessoa que fora pisada.

Esta dizia que não queria ir ao hospital, porque “era coisa pequena” e que conseguiria chegar à casa. Só queria que o automobilista lhe desse mil meticais em pagamento do que lhe fez. Houve uma algazarra, uns a dizer que o dinheiro era pouco, outros a afirmar que era melhor ir ao hospital, porque “não dói agora, mas depois quando chegar à casa…. até que o condutor decidiu separar da turba, a vítima. Este persistiu que só queria mil meticais, porque ele se resolveria. O condutor pagou e foi-se embora. Não se sabe ao certo o que depois aconteceu com o acidentado, que não quis ir ao médico.

Pouco tempo depois, soubemos dum caso “de atropela e foge”. Num fim-de-semana, um peão bebera longe da sua casa e percorrera a estrada de grande movimento a cambalear, à noite, em direcção à sua casa. Foi atropelado por um incauto automobilista que, aparentemente, quis o socorrer. Carregou-o quase moribundo com o auxílio de pessoas para o seu carro e foi visto a zarpar. Para pouco tempo depois, sem que ninguém o visse, atirar a vítima num contentor de lixo e seguir viagem. Aparentemente, o peão teria desmaiado no momento do atropelamento, pelo que não se teria apercebido de nada do que estava a acontecer à sua volta.

O Inverno e as dores juntaram-se e eis que o homem começou a gemer devido aos ferimentos contraídos no acidente. Alguns catadores de lixo, que passaram pelo contentor, foram vê-lo, atraídos pelos gemidos. Vasculharam-no e encontraram nos bolsos um celular. Foi o suficiente para telefonar para um número ao acaso. A sorte é que o contacto era de facto da esposa, que já estava preocupada por o marido não ter ainda voltado, apesar do adiantado da hora.

Eles disseram-lhe que o dono do celular estava a gemer num contentor de lixo, numa determinada zona, e que ela fosse procurá-lo, pois, eles iam ficar com o celular como         “remuneração” pela “amabilidade”.

O indivíduo teve sorte, porque a esposa, com ajuda de amigos, foram recuperá-lo do lixo e conduziram-no para o hospital.

É onde chegamos com a degradação dos valores morais na sociedade, em que, quando acontece um acidente, as pessoas correm para roubar o motorista e não para socorrê-lo. Ficam a vandalizar o carro e/ou agridem o automobilista sob a alegação de que não estava a conduzir com a devida atenção, por isso atropelou seu familiar.

Os automobilistas, quando atropelam um peão e constatam que está sozinho, sem acompanhante, fogem do local a sete pés e sem deixar rasto, abandonando a vítima, e fugindo da sua responsabilidade.

No fundo, ninguém socorre ninguém, nestes tempos de erosão dos laços de afecto e de falta de solidariedade e de responsabilidade, nestes tempos de maior malvadez entre as pessoas.  

Alfredo Dacala - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

Comments

O JOVEM descia as escadas do prédio num louco frenesim. Pulava de quatro em quatro com um invulgar cálculo geométrico mental. Transpirava abundantemente e os calções estavam à beira de um colapso nas linhas retocadas pelo alfaiate da loja do Kumar, o indiano da esquina que anda sempre mal disposto. Assomou no vão do segundo andar arfando que nem um cavalo com sintomas de renite aguda. Joaquina, a doméstica dos Soviéticos do segundo andar, vassourava o varandim quando foi empurrada violentamente pelo jovem que descia meteoricamente as escadas.

A senhora, atónita e espalmada contra o rígido chão, ainda perguntou:

- Hi hawena Zeca! O que se passa desta vez?!

Zeca travou bruscamente e o efeito da inércia fê-lo tropeçar por entre os degraus. Olhava para trás atemorizado e trémulo. Parecia perseguido por um fantasma. Encolheu-se e em pose fetal tentou juntar pequenos cacos do alfabeto português para dizer alguma coisa à senhora, mas da boca apenas emergiu um assombrado sopro cadavérico.

- Zeca meu filho, queres ajuda? O que está a acontecer? – Insistiu Joaquina, levantando-se pesarosamente e com os joelhos esfacelados.

Zeca revirou os olhos, voltou a olhar para trás e lançou um grito lancinante e gelado que ecoou o prédio todo. Levantou-se e continuou a odisseia atlética, saltando as escadas, agora de seis em seis degraus, com o mesmo sentido geométrico de cálculo. Aflorou o pátio, derrubou a banca de Lopes, o machuabo agente mPesa e revendedor de crédito, que enfurecido recalcou:

- Fusseka Zeca, mananbwa! Mussólo unga pendi fedamãe!

Zeca nem sequer parou. Atravessou a avenida mais movimentada da cidade, saltou o portão de uma escola primária, passou pelo pátio feito um foguete, voltou a saltar o muro, desta vez o traseiro, e embrenhou-se por um mercado informal. Respirava mal. Estava ofegante. Entretanto o calção já há muito tinha deixado de cumprir com as suas mais elementares funções. Zeca estava literalmente encuecado. Parou numa banca e uma mulher de meia-idade, mas com a face calcorreada pelas amarguras e agruras da vida, acercou-se dele desanimada meneando a cabeça de forma reprovadora.

- O que se passa meu filho?!

- Mamã, tem um elefante no quarto de Jorginho. Grande mamã!

E desatou a chorar copiosamente. Chorava tanto que parecia que a alma ia abandona-lo a cada violento suspiro.

- Mamã tenho medo. Aquele bicho está lá em cima mamã!

Soluçava violentamente, criando sulcos assustadores no peito. Dir-se-ia que o paquiderme de que falava afinal estava dentro de si.

Entretanto, a mãe, vendedeira numa banca de mercado informal, sentou-se e anichou a cabeça de Zeca no seu farto mas desnutrido peito. Uma lágrima deslizou por entre a face enrugada pelo tempo e envelhecida pelos percalços da vida. Nunca se recompôs da perda do marido, um diligente funcionário do Estado, nem do filho Jorginho, fulminado por uma overdose de haxixe.

Olhou com ternura e compaixão para o filho e pressagiou:

- Zeca, meu filho, não aprendeste com o teu irmão Jorge.

Leonel Abranches

Comments

Limpopo: Por favor, ó Abel!!!! - César Langa

 

QUANDO começou a caminhada rumo ao CAN-2019, a realizar-se nos Camarões e os Mambas tiveram uma épica façanha, trazendo do inferno de Ndola uma tão saborosa quanto histórica vitória diante da Selecção da Zâmbia, todo o povo entrou em festa como se mesmo Moçambique já estivesse presente na grande festa na terra de Roger Milla, Samuel Eto’o, Thomas Nkono e companhia.

E não era por pura emoção. Havia muita razão. É que nunca antes havia sido escrita tamanha proeza. Nos confrontos entre os dois combinados (Mambas e Chipolopolo e antes KK11), nunca Moçambique havia levado a melhor, pelo menos em competições oficiais. Dentro e fora do país. Por isso, havia mesmo que festejar de forma exuberante o feito do Estádio Levi Mwanawassa.

Porque Moçambique e moçambicanos amam a sua selecção e se identificam com ela, o desaire de Julho de 2017, frente ao Madagáscar, em pleno Estádio Nacional do Zimpeto, ficou esquecido. Todo o estádio ficou pintado de vermelho, quando foi a vez de receber a Guiné Bissau, para a segunda jornada. Todos acreditávamos nestes rapazes, porque, de facto, eles têm potencial. Mas a desilusão tomou conta de todas as almas que ostentam o gentílico deste pedaço do Índico, justamente ao apagar das luzes. Onde esteve a concentração que se recomenda, ó Abel?

Veio a dupla jornada, desta feita, frente à Namíbia. Primeiro, em solo pátrio, na partida que seria de redenção e reconciliação entre os moçambicanos, que ainda se ressentiam das sequelas nos ferimentos do seu orgulho. Até porque tudo começou bem, comandando a marcha do marcador, mas, uma vez mais, no último minuto, o desengano volta, em forma de projéctil, a espectar os nossos corações. E a mesma pergunta se repete: onde esteve a concentração que se recomenda, ó Abel?

Trémulos quais cordeiros diante do lobo, lá se viajou para Windhoek, para um jogo que serviria para a restauração de esperanças que a matemática teima em nos iludir sobre a sua existência, nesta caminhada prestes a atingir a meta. Os Mambas aguentaram a primeira parte, mas, na derradeira etapa, os namibianos marcaram o golo que lhes conferiu a festa e fazerem das nossas esperanças a sua convicção na qualificação para os Camarões. Muita tristeza junta, não é, ó Abel?

Cegados por esta matemática que mantém miraculosamente aberta a possibilidade de estar de novo num CAN, nove anos depois, voltamos, próximo domingo, a mais um encontro com a Zâmbia. As redes sociais anteveem este jogo como “filme de terror”, porque, de facto, todos estamos tomados pelo medo, ainda que, de tempos em tempos, a matemática me faça repousar de constantes pesadelos.

Pode ser domingo, dia da leitura da sentença. Também pode ser que se adie para uma data a anunciar. Curioso é que os Mambas são os juízes da própria causa e poderão ser eles mesmos a lê-la. Cá, do meu cantinho, nas bandas do Limpopo, só me resta pedir e pedir: por favor, ó Abel!!! Vamos lá jogar limpo(po)...

César Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Comments

Acento tónico: Construir à  distância (concl.) - Júlio Manjate - (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

A RECUPERAÇÃO do Jossefa foi rápida, pelo menos do ponto de vista emocional. É que foi duro o golpe sofrido com aquele calote do guarda e do pedreiro. Se fosse homem de pouca fibra, certamente que teria atirado a toalha ao chão, e desistir da aventura de construir à distância.

No entanto, Jossefa decidiu que, dali para frente, o controlo do material para a obra seria milimétrico, do tipo conferir a quantidade de blocos usados em cada fiada. 

Decidiu também que o cimento jamais seria descarregado em “magotes”, nem o ferro seria “despachado” às dezenas.

O novo guarda, contratado por recomendação de um amigo com alguma experiência nessas lides de construir à distância, era um homem desmobilizado, escuro e de feições  pouco habituais.  Recusava comunicar-se numa outra língua que não fosse a sua, que infelizmente só ele entendia na zona. Isso ajudava-o a manter-se distante do resto da comunidade, agindo como uma espécie de PitBull… racional.

Só se comunicava em português com Jossefa, o  seu patrão.

Antes de retomar a obra, Jossefa reuniu-se com o guarda e com o também novo pedreiro. Era preciso colocar os pontos nos “is”. O primeiro embate tinha sido suficientemente duro, profundo  e cheio de lições para o resto da vida. Ficou a saber, por exemplo, que duas das dependências  que reluziam no seu quarteirão,  tinham sido erguidas com parte dos blocos, areia e pedra que eram vendidos em carrinhos de mão pelo anterior guarda.

Não lhe faltava vontade de reclamar co-propriedade daquelas habitações, mas faltavam-lhe evidências do tipo “flagrante delito”.

Algumas semanas depois, Jossefa voltou à obra e ficou maravilhado com o ritmo dos trabalhos. Na verdade, dali para frente a obra evoluiu até à cobertura e acabamentos, sem qualquer reporte de desvios. A vigilância era cerrada!

A bronca só voltou na hora das pinturas.

Jossefa perdeu várias horas na Internet, a pesquisar a melhor combinação de cores para a sua casa.

Seleccionadas as cores e idealizada a sua distribuição pelas paredes da casa, interiores e exteriores, Jossefa adquiriu vinte baldes  de tinta original,  daqueles de 20 litros cada, que a seguir enviou ao cuidado do seu guarda, por quem já desenvolvera alguma confiança.

O pintor foi escolhido a dedo entre os jovens artesãos que pululam na grande cidade, oferecendo trabalho a custos módicos. Jossefa explicou tudo, ao detalhe, sobre que cor iria para cada parede, numa sessão que se prolongou por várias horas.

Quando voltou ao terreno, três semanas depois, Jossefa voltou a desmaiar, desta feita antes mesmo de entrar no seu quintal, ao perceber que as decorações que se viam numa das paredes exteriores da casa são as que ele recomendara para a sala de visita!

Não se sabe por que carga de água mas, o pintor fizera tudo ao contrário do que lhe tinha sido recomendado, ao  extremo de ter usado o zarcão que era para as grades e portões, para “borrar” uma das  paredes da sala e a totalidade do quarto das crianças.

A explicação para isso foi que  o conteúdo de alguns baldes da tinta, adquirida à  porta da fabrica, era diferente do que era prometido nos rótulos. Era muito azar junto para uma só pessoal… Uma semana depois, Jossefa refez se de mais este dano material e emocional.

Ontem, foi visto na obra, sobre andaimes, pintando pessoalmente uma das paredes de sua casa.

Júlio Manjate - (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

Comments

COMO já não acontece passam algumas luas, naquele dia, um sábado de aniversário da cidade onde moro, fui sacudido um pouco mais cedo, que tinha de ir a uma festa que se sabia do tempo de início que do término, esse dependia das capacidades de resistência e o resto de cada participante. E então um sorriso não pude evitar quando me dei porque via por baixo, ou melhor, rolava por cima da antiga praça dos burros. Via lá em baixo o que sobra da antiga Nwankakana e depois seria tudo por cima com uma vista de bem encantar. Mesmo os descoloridos prédios da cidade das acácias, ganham alguma beleza. E foi assim até o lugar da portagem alindado por essas flores, que um dia Samora Machel disse que “nunca murcham”. De branco, azul e um laço vermelho, um sorriso nos lábios expondo a brancura de seus dentes. Mereceram e receberam festinhas de gente nem sempre ao alcance de seus braços. E depois. E depois foi o lugar de dizer da alegria do país, de ligar o sul e o norte de África, mas não antes de orações de representativas confissões religiosas da Katembe, sabido de goeses e pescado, de muitos outros e de outras práticas do belo que é estar do outro lado na outra margem. E então á noite! A fosforescência da cidade de Maputo!

Em chegando, as pessoas eram recebidas pelas vozes de intérpretes da música ligeira moçambicana, sobretudo dos mais velhos. Claro que não era ao vivo, mas podia ter sido.

O sol, a essa hora matinal, já era bem inclemente e os sombreiros insuficientes para a massa de gente que ao lugar se deslocou, mas nem por isso alguém ousou arredar o pé. Era um dia de festa. Um dia de celebração.

E então um palco ali plantado recebeu grupos culturais que espalharam o seu charme pelo local intercalando dizeres de personalidades que para tal qualificavam.

Era dez de Novembro!

E tudo ali terminou para continuar do outro lado. Na fronteira da Ponta de Ouro. E fui a Ponta de Ouro, mas não cheguei á fronteira, onde houve festa, ao que me dizem, de arromba. Há-de ter morrido boi, porco, cabrito. Certamente que da água alguns mariscos e peixes saltaram cá para fora, não por vontade própria. As cervejeiras devem ter facturado e bem, como também facturaram as transportadoras e as barracas, naturalmente, naquele sábado de festa da cidade onde moro. E por conta disso, na segunda-feira, que foi ontem, se toleraram atrasos nos lugares de trabalho que não sejam de gestão privada, e nalguns destes, também.

É a ressaca. E era da alegria.

 De regresso, e porque já autorizado o uso público da ponte, era tanta a alegria espalhada pela estrada, com os motoqueiros a fazerem roncar as suas máquinas de altas cilindradas, já na Katembe.

Já era tanta a alegria espalhada pelas bermas da estrada, com homens e mulheres dançando e pulando ao som de músicas vomitadas pelos automóveis estacionados e com portas abertas. Bebiam e comiam e gritavam de alegria e não havia quem vivesse a sofrência porque tudo partilhavam, o que podiam partilhar.

Gente modesta, mas com ar de muita alegria, participou da festa caminhando pelos seus próprios pés, alguns sem uma chinela de borracha sequer. Mas festejavam. Mas estavam alegres. Certamente que viam naquilo uma mudança nas suas vidas, que um dia havia de chegar. Mesmo aqueles que durante o processo menos bem disseram dos números que tinham sido lançados, não deixaram de mostrar o seu contentamento e deslumbramento pela obra, que vem tornar o tão longe em tão perto.

Em menos de hora já se pode fazer um mergulho nas águas da Ponta de Ouro, viajando em uma estrada de qualidade igual a de muitas outras noutros lugares que não Moçambique.

Era a inauguração da ponte Maputo-Katembe, naquele dia dez de Novembro de dois mil e dezoito. E assim se liga o sul ao norte de África por via rodoviária. Acima de tudo o tão longe que ficou tão perto.

Ponta-de-Ouro.

Djenguenyenye Ndlovu

Comments
Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction