COMEÇO a partir de hoje a ocupar este espaço, propondo-me a contribuir na discussão de assuntos nacionais e de fora de portas. Matérias sociais e políticas merecerão especial atenção na coluna que às segundas-feiras marcará a sua presença nesta página.

Como tema de arranque sinto que não elegeria outro senão aquele que me parece constituir neste momento o supremo desejo comum, que é a paz e reconciliação da família moçambicana. Assim penso , tendo em conta que o ano começa com boas notícias: A trégua prolongada que todos nós ansiamos que represente um ponto de partida para se chegar a uma paz definitiva. Os moçambicanos são capazes e demonstraram-no no passado. Há 24 anos, com a assinatura dos acordos de paz, que puderam termo a 16 anos de guerra. Estou confiante de que o país vai-se endireitar. Em relação a este assunto e a tantos outros que nos preocupam. Sempre resistimos a vicissitudes e a esta também resistiremos. É certo que as feridas reabriram-se, mas a trégua prolongada, na sequência da conversa entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o presidente da Renamo, Afonso Dhakama, é um grande sinal de que podem (as feridas) voltar a cicatrizar e muito rapidamente. Não somos um país de fatalidades.  

Vezes sem conta fico revoltado com alguns políticos e gente dona de opinião quando usam conscientemente ou não discursos regionalistas ou apelativos à etnia para ganhos políticos. Isso é perigoso. Pode envenenar os moçambicanos, que são uma riqueza, sob ponto de vista etno-linguistico.  

Sobre este último aspecto, já testemunhei um episódio abominável. Estava eu numa capital europeia com colegas da África Austral e Oriental. Entre os meus companheiros estava um queniano que, por sinal, viria a se tornar amigo. Num dia, enquanto esperávamos por uma viatura que nos levaria a certos lugares pitorescos da cidade dei-me de caras com uma africana, que passava por perto. Depois de uma breve troca de palavras, fiquei a saber que era compatriota do meu companheiro de viagem. 

Ouvi da mulher uma pergunta que não liguei, com pressa de querer ganhar louros por poder conectar dois compatriotas. Longe da terra. Ela consentiu perder tempo, enquanto eu chamava o meu amigo, que me surpreenderia com a seguinte pergunta: Wich is her tribe (de que tribo ela é)? não me preocupei em responder a esta questão, cujo alcance viria a entender só mais tarde. A verdade é que os dois não chegaram a se dirigir palavra. Os dois corpos repeliram-se.

Nenhum deles me disse algo, mas pelo semblante, eu acabava de fazer a pior coisa que podia lhes acontecer naquele momento. Não tive coragem de perguntar ao meu amigo, o que se passara e nem ele tomou iniciativa de me dizer algo. A conclusão a que cheguei é que eram de tribos ou etnias provavelmente diferentes e rivais. Mas até para não se falarem? Incrível!

Nesse momento, fiz um rewind e me lembrei que na mesma cidade encontrara-me com moçambicanos que nem são da minha província e nem região de origem. Alguns não vinham ao país passavam anos. Falamos de muitas coisas, do país. Só não fui à casa de um deles a seu convite porque o programa da minha estadia não permitiu. Naquele momento, longe da terra, falei para os meus botões : Tenho orgulho de ser moçambicano!

LÁZARO MANHIÇA - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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