“O RELÓGIO é indispensável para a determinação da elegância dos cavalheiros e damas. O acessório faz toda a diferença, dá um toque intelectual à pessoa que o porta. No pulso dá outro pulso ao indivíduo, fazendo-o acreditar que é mais firme e determinado”, recordei-me desses dizeres enquanto me preparava para sair de casa.

Olhei para o relógio e vi: 7.15 horas. Neste instante percebi que os ponteiros em movimento também têm outra função, além da decorativa. “O relógio serve para marcar horas, ajudando assim no cumprimento dos nossos compromissos”, reavivei as falas da minha mãe no dia em que me ofereceu um relógio.

Enquanto mexia o volante, olhei para o caminho e vi um senhor engravatado à espera de alguém. De novo vieram as declarações da minha educadora: “O homem de negócios, em cada levantar do pulso, mostra que tem tarefas, que não é desocupado. O relógio é bom, por isso dá um ar de seriedade às pessoas”.

Engarrafamento, carros em fila. Sabia que a aula inicia às 7.00 horas, mas ainda não estava na sala. Pensei em buzinar, mas desisti, pois não resultava, a fila permanecia longa e não seria o barulho da buzina que iria desfazer aquela desordem.

“Calma, tudo vai dar certo”, menti para mim mesmo. A viagem prosseguiu, já eram 7.30, faltavam ainda alguns longos metros para chegar à faculdade. Na estrada as pessoas exaltam-se, gritam, soltam insultos, palavras que causam arrepios aos ouvidos mais sensíveis.

Fechei os vidros do carro, não que seja sensível, mas para não sentir o bafo daquela atmosfera. Aumentei o volume da música, mas não era aquele som que escutava, ouvia as reclamações dos estudantes: “Onde ele está? Quem ele pensa que é para nos plantar aqui na sala?”

Já são 7.50 horas, o primeiro tempo acabou. Não fiquei aflito, sabia que estava perto, até já conseguia visualizar a escola. “Relaxa, todo o mundo se atrasa. O moçambicano é assim: isso está no nosso ADN. Não podes lutar contra a sua natureza”, uma voz moralizadora berrou no meu subconsciente.

Já cheguei, estou em frente à escola, mas tenho de estacionar. Dei inúmeras voltas, é um exercício sem igual estacionar a nossa viatura neste local. Depois de 10 minutos de transpiração saí do carro e andei mais de três minutos.

“São 8.23 horas, está mal isto, só tenho mais 27 minutos de aula”, pensei em voz alta, enquanto subia as escadas da escola. Entrei na sala, dei um passo, olhei para os estudantes, menos de 10. Contabilizei  todos. Sentei-me. Algumas gotas de água teimaram em percorrer o meu rosto. Tirei o lencinho e limpei. Olhei para o relógio: 8.33.

Levantei-me, ajeitei as calças lentamente. Olhei para a chefe da turma, tirei uma folha em branco e uma caneta, e ordenei:

“Escreva o nome de todos os estudantes que estavam na sala quando entrei e o resto tem falta”, sentenciei. Depois das minhas falas o clima ficou tenso na sala, mas o que fazer, alguém tem de impor disciplina aqui.

Sentei-me, olhei para o pulso e franzi o rosto para o maldito relógio, para instantes depois iniciar a aula.

GLÓRIA MARIA- Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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