HOJE decidi fazer uma modesta e breve incursão pela cultura, mais concretamente pelo teatro falando de um dos grupos, na minha modesta opinião, mais representativos da cidade da Beira, o Haya Haya.

Estou a falar de um grupo que existe desde 1992, ou melhor, há 25 anos, sendo composto pelos irmãos Chiteve, Lúcio e Aníbal, e ainda Nando, Calene e Tucha.

Não me proponho, que fique desde já claro, a avaliar a qualidade do seu trabalho até porque não tenho quaisquer habilidades para tal. Seria presunçoso da minha parte!

Proponho-me, isso sim, a bater as minhas mais estrondosas palmas à sua persistência e/ou resiliência, como se diz muito nos últimos tempos. De facto, estamos perante um caso notável e flagrante disso mesmo, de persistência e/ou resiliência.

Gostaria, neste entretanto, de socorrer-me de uma entrevista que tive há dias na Beira com um dos praticantes das artes cénicas mais famoso do país, Gilberto Mendes de seu nome, o líder da Companhia de Teatro Gungu.

Nessa entrevista abordámos muitas coisas e era inevitável falar do teatro que se faz fora da capital do país. Vou a seguir citar as palavras de Gilberto Mendes, a propósito:

“Sinto que os grupos de fora de Maputo estão desapoiados. Dá a impressão de que não está a acontecer nada. Aqui na Beira, por exemplo, há um forte movimento de teatro, há actores muito bons, grupos muito bons, só não têm as condições que existem em Maputo porque não há divulgação necessária em termos de publicidade e os patrocinadores normalmente querem apoiar quem aparece na imprensa”.

Pois, aqui podem residir as razões das minhas palmas à persistência e/ou resiliência do Haya Haya que é, repito, um dos rostos mais visíveis do tal forte movimento de teatro que se faz na Beira.

Estou em condições de dizer que nestes anos todos muitos grupos nasceram mas sucumbiram, porque não é fácil manter viva a chama do teatro, pelo menos na Beira.

Só o aluguer de uma sala para ensaios custa dinheiro, que dificilmente se recupera nos dias das apresentações porque poucas pessoas pagam para ver uma peça de teatro. A publicidade nos meios de comunicação social é cara e não está ao alcance de qualquer grupo. Os patrocínios minguam. E depois há a sobrevivência dos próprios artistas, naturalmente, fora outras componentes técnicas que desconheço.

Sei que qualquer dos integrantes do Haya Haya não vive exclusivamente do teatro. Qualquer deles tem outros rendimentos como é, aliás, apanágio de muitos moçambicanos noutras áreas, mas o facto de conseguirem manter o grupo durante anos perante tantas adversidades merece realmente a minha mais sincera admiração. Bem hajam e que não desfaleçam. Continuem a proporcionar as alegrias que as pessoas procuram e encontram em vós!

 

PS– À hora em que estas linhas estiverem a chegar às mãos do leitor estarei numa missão profissional fora do país, precisamente na Libéria, acompanhando o nosso campeão nacional de futebol, o Ferroviário da Beira, que amanhã vai tentar conquistar um lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos depois de uma vitória por 2-0 na Beira. Ouvi muitos especialistas moçambicanos a chamarem a atenção para os aspectos “extra-futebol” que o Ferroviário vai enfrentar na Libéria. Ou seja, os liberianos tudo farão dentro, e fora do campo, para ganhar esta eliminatória. Nos próximos dias procurarei trazer neste e noutros espaços o que realmente vai acontecer. Para já, força Ferroviário!

Eliseu Bento

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