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O JORNALISMO está de facto a reinventar-se pelo mundo fora, perante desafios de uma era em que se tem e se aperfeiçoam novas formas de se comunicar. Mas, mesmo assim, julgo eu, nunca deve perder a necessidade de ser responsável e verdadeiro, o que infelizmente parece que está a deixar de acontecer no nosso país, de forma vertiginosa.

Digo isto depois de ter lido um pseudo-comunicado de imprensa, que me chegou à caixa de correio electrónico e depois de ter visto uma notícia sobre o mesmo numa das televisões da praça a anunciar que uma tal Associação Moçambicana de Operadores de Madeira (AMOMA) defende que a madeira apreendida no âmbito da “Operação Tronco” devia ser incinerada, à semelhança do resultado do contrabando do marfim, de cornos de rinoceronte, de cigarros, drogas, etc.

Como é óbvio, o pretenso comunicado de imprensa está a ser objecto de chacota nas redes sociais e em muitas conversas de café, de quão ridículo é o seu conteúdo. Mais do que discutir o conteúdo do documento público da AMOMA, importa alertar que os meios de comunicação social que o veicularam também têm quota-parte de responsabilidade.

Primeiro há que recordar que o tal comunicado não era de publicação obrigatória, ao abrigo da lei de imprensa moçambicana, mas teve um grande destaque e o resultado está à vista.

A loucura da ilusão de que se captam audiências no sensacionalismo, uma vertente do populismo, está a levar grande parte dos meios de comunicação moçambicanos a um comportamento de manada.

Basta o líder da manada apontar um certo rumo, os restantes animais seguem-no, sem questionar o rumo que ele toma. A AMOMA, provavelmente, quis sair do anonimato em que estava votada e aproveitou uma operação governamental de grande responsabilidade e alcance para se fazer conhecer. Quer dizer, quis aparecer sem crescer.

Algumas televisões, rádios e jornais foram na onda, não analisaram o ridículo do tal comunicado e puseram-no no ar e nas suas capas e páginas, na íntegra, sem nenhum suporte jornalístico que esclareça o público, publicitando o ridículo, gratuitamente.

Noutros quadrantes do mundo, mesmo publicidade paga, não passa de qualquer maneira. É necessário verificar se o conteúdo não afecta a harmonia social ou mesmo os interesses e bom nome do respectivo meio de comunicação social que o veicula.

Por exemplo, é de facto um insulto à inteligência dos moçambicanos sugerir a queima sumária da madeira apreendida, alguma de grande valor comercial em qualquer parte do mundo, enquanto alunos, país e encarregados de educação choram por falta de carteiras e salas de aula.

A minha opinião sobre o assunto é que parte da madeira apreendida sirva mesmo para fazer carteiras e salas de aula em escolas do Estado. O que devia ser incinerado, isso sim, é o comunicado da AMOMA, que parece ter sido escrito pelos traficantes da madeira, dado o seu carácter criminoso.

A não publicação ou incineração de comunicados como o da AMOMA só pode ser feita com lideranças nas redacções que consigam pensar, com independência, ganhando uma forte capacidade de influência. E acredito que isso é possível.

O que está impresso nos jornais, o que vemos nas televisões e ouvimos na rádio, tem de ser inequivocamente verdade e útil.

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