A IMAGEM do distrito costeiro de Memba, na província de Nampula, continua associada à relativa pobreza (mesmo com um potencial de riqueza) depois de na década oitenta terem sido reportadas mortes devido à fome que assolou a maioria da população.

Chegaram a circular estórias de certo modo horríveis reportando famílias que se alimentavam de raízes e de frutos silvestres, disputando estes alimentos (?) com animais. Estórias essas que hoje fazem parte da história deste distrito.

Consequentemente, os sectores sociais, com destaque para a saúde e educação, viveram momentos dramáticos. Se por um lado na educação os professores e alunos não iam à escola porque estavam com fome e tinham de ajudar os pais na mata à procura de tubérculos para se alimentarem, por outro a saúde mostrava a sua incapacidade de tratar o número crescente de miúdos (e não só) malnutridos, cujas imagens correram o mundo pejorando o nome de Moçambique.

O principal problema para que o auxílio nacional e estrangeiro não chegasse a Memba eram as vias de acesso. Houve tempos em que para se chegar à sede de Memba tinha que se recorrer somente à via aérea ou marítima porque por estrada era impossível tanto pela via de Nacala-a-Velha como e muito menos pela via de Nacarôa.

A intransitabilidade das vias terrestres fazia com que a ajuda em alimentos e medicamentos levasse mais de duas semanas para chegar a Memba, e muitas vezes não chegava nas condições de partida, em percursos de menos de 300 quilómetros de Nampula ou escassos 90 quilómetros a partir de Nacala

Fazendo valer o ditado “o tempo é melhor o remédio”, hoje, Memba já não tem problemas de comida porque a sua população produz o suficiente para a sua subsistência. Aliás, acompanhando o crescimento gradual do país, o governo está a mobilizar fundos para construir um porto de pesca a partir do qual serão desenvolvidas operações de processamento do atum que tem mercado assegurado, sobretudo no Japão. Diga-se, até, o melhor atum do país.

Neste momento, alguns pescadores de pequena escala daquela região que reúne um potencial invejável em termos de recursos pesqueiros receberam motores para estimular a captura do atum, visando a sua comercialização e processamento para exportação.

Mas o problema de Memba continua a ser o das vias de acesso. Se neste momento já é relativamente fácil chegar à sede de Memba por via terrestre, a circulação dentro do distrito, ligando as localidades a postos administrativos, ainda não é das melhores e está a afectar  potencialidades de que o distrito dispõe.

Na localidade de Simuco, posto administrativo de Mazua, localizam-se extensas áreas de praias virgens por ser exploradas para o desenvolvimento do turismo, isso para não falar do Baixo Pinda, uma baía natural que só não passa despercebida devido à sua localização, no povoado de Nanata, de um lodge com qualidade assinalável.

Chegar a Baixo Pinda ou Simuco, por estrada, é um autêntico martírio. Turistas nacionais e estrangeiros não visitam estes pontos porque é difícil lá chegar. Aliás, não há na zona investimento em infra-estruturas mesmo porque é difícil lá chegar.

Fica, mais uma vez, Memba refém do melhoramento da transitabilidade para que possa aumentar os seus níveis de receitas com o consequente desenvolvimento sustentável que se augura no turismo e contribuir para, ao contrário do que aconteceu nos anos 80 ao apresentar uma má imagem do país, se redimir e mostrar mais uma das grandes atracções e potencialidades de Moçambique.

Carlos Coelho-Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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