ATENTE-SE ainda ao comportamento de alguns pais que, pensando estarem a promover convívios sãos com os filhos, partilham copos nos bares até ao raiar do sol. Muitos outros, porque cheios de taco, delegam os papéis de pais ao dinheiro.

Como? Entulham autenticamente os filhos de centenas de milhares de meticais para não “incomodarem”. Pagam fortunas a explicadores para os seus dependentes não chumbarem na escola. Escasseia-lhes tempo para “ver” os cadernos dos filhos. Estes crescem desejando ser iguais aos pais: ter muito dinheiro, não se importando com os caminhos que devem ser seguidos para se alcançar o sucesso…Se isto não é atropelo à moral, não sei o que será…

Como que remate fulminante e decisivo, atente-se à inacção das autoridades a vários níveis. Lembremo-nos, por exemplo, das leis, das posturas camarárias, aprovadas pela Assembleia da República e pelas Assembleias Municipais destinadas a regular comportamentos dos cidadãos. Um pequeno exemplo demonstrativo: já passam mais de cinco anos que o Parlamento aprovou uma lei que proíbe a venda de álcool a menores. O que se observa hoje em relação à matéria? nada. Ou melhor, assiste-se a magotes de crianças a, de forma regular, entrarem e a adquirir bebidas alcoólicas em estabelecimentos de especialidade, quer para consumo próprio, quer mandatados pelos país. Se isto não é atropelo à moral, não sei o que será…

Fiz referência num dos parágrafos acima ao comportamento desabonatório de alguns pais. Esse comportamento “alarga-se” a outras dimensões. Como se sabe, para além de serem pais, muitos homens são também maridos. Acontece que muitas vezes, largado o “job” na sexta-feira, regressam à casa apenas ao domingo à noite, numa altura em que o lar já deixou de ser doce. E as crianças a verem e aprenderem, claro. A mulher, “ontem” compreensiva, paciente, amorosa e carinhosa, vai-se transformando aos poucos numa dama chata, amarga. Quando procura explicações para o comportamento desviante do marido, este responde com impropérios, com arrogância, com machismo e remata, para o mal de nós outros (homens): “qual é o teu problema? Falta alguma coisa aqui em casa?

Como se ela tivesse casado com o “dito cujo” só para ter “tudo” - comida, roupa, sapatos, TV plasma para assistir novelas e outras bugigangas. Como se a sua parte sentimental não contasse. Como se a partir do momento em que contraiu o matrimónio tivesse assinado um contrato que tem como uma das cláusulas deixar de amar e de ser amada e acarinhada. Como se a sua função de mulher casada fosse apenas a de fazer filhos e cuidar da casa. Carpindo as mágoas, a mulher começa aos poucos a transfigurar-se, transformando-se numa senhora vingativa. A partir desse momento começa a perder o amor, não apenas pelo marido, como pelos filhos. Aos poucos, vai desenhando estratégias de vingança. Se isto não é atropelo à moral, incitador da desarmonia, não sei o que será…

Urgente debate…

Tendo os valores morais na sociedade moçambicana chegado onde chegaram, entendo que é momento de todos os segmentos dessa sociedade fazerem uma retrospecção, revisitar o passado e olhar para o futuro de forma diferente da que estamos a olhar esse futuro hoje. Papel de destaque nessa retrospecção deve, ou devia caber, aos movimentos da sociedade civil. Mas atenção: tem que ser “aquela” sociedade civil comprometida com os problemas sérios e reais do país. Não aqueles grupos preocupados com a promoção da “liberdade de a menina aluna exibir livremente o seu corpo” (lembram-se, caros leitores, deste assunto?).

Convoco também os partidos políticos a incluírem nas suas agendas a abordagem sobre este assunto; pois é o futuro do país que está em jogo. É necessário que eles compreendam que é mais fácil governar quando a sociedade vive uma situação de estabilidade nos campos político, social, económica, entre outros. Em resumo é importante e urgente que cada um de nós se compenetre de que o futuro do país depende do que fizermos hoje. Por isso, da multiplicação do esforço de cada um obter-se-á um resultado confortável que a todos beneficiará. Não podemos, não devemos, é continuar a encolher os ombros perante as adversidades, como se nada fosse connosco.

 

Marcelino Silva

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