QUANDO dei costas a vila carbonífera de Moatize, província de Tete, depois de apreciar artigos postos à venda na feira comercial que se realiza todas as quartas-feiras em frente à estação dos CFM, quase todas camionetas que circulavam nos dois sentidos, tinham algo em comum: carroçarias “gradeadas” de espinhosa.

Estranhei o que estava a ver, e a minha curiosidade chegou logo ao fim antes de transpor o posto fronteiriço de Zóbwè, porque os meus companheiros de viagem tiraram as minhas dúvidas. Aliás, mesmo antes de exteriorizar a minha pergunta a propósito daquela situação pouco comum nas nossas estradas, eles explicaram que o “gradeamento” das mercadorias nos camiões tinha a ver com o “caracol” de Caphiridzange.

“Outra vez Caphiridzange”?, questionei aos meus colegas de viagem ao que me esclareceram que antes do trágico acontecimento do ano passado, que resultou na morte de mais de 100 pessoas, aquele pacato povoado já andava “na boca do povo”, por causa dos desmandos que se registam no caracol.

Quando perguntei o que acontecia no tal caracol, o carro no qual viajava estava quase a meio de uma curva apertada, numa subida, cujo piso tem trepidações que obrigam a redução de velocidade para todas as viaturas.

Ė neste local onde os “amigos do alheio”, aproveitando-se das curvas apertadas numa montanha com ravinas nas bermas,  aproveitam para retirar bens nas viaturas em circulação, por ser quase impossível passar do local acima de 50 quilómetros, devido ao perigo que isso significa.

Enquanto escutava a explicação, também estava atento a gincana dos automobilistas, incluindo o que nos levava ao Malawi. Todos circulavam abaixo dos 40 quilómetros nas curvas e contra curvas da montanha de Caphiridzange.

“ Todos carros que passam sem aquela espinhosa a volta da carroçaria, não chegam ao destino com os bens, porque os “fora-da-lei”, mesmo com o carro em movimento, retiram quase tudo”, disseram.

Satisfeita que estava a minha curiosidade por ver todos camiões que circulam naquela estrada com espinhosas a rodear as carroçarias, ainda fiz uma questão que, infelizmente, os meus colegas de viagem simplesmente encolheram os ombros.

Será que as autoridades da lei, ordem e segurança no país não têm condições para neutralizar a acção dos assaltantes de viaturas naquela zona que, ao que tudo indica, acontece à luz do dia?

Até quando os automobilistas deixarão de “gradear” camiões para proteger seus bens? Enfim caracol de Caphiridzange é caso inédito em Moçambique.

Vctorino Xavier

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22.06.2017   Banco de Moçambique

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