CONHECI o mano Mosquito, meu conterrâneo e contemporâneo lá da província de Gaza, faz tempo.

Tal como qualquer outro ser, mano Mosquito não tardou em cumprir as metamorfoses da vida: nasceu, cresceu e multiplicou-se, contabilizando agora cinco filhos, todos eles acima dos dez anos. Todavia, a sua vida conjugal não é nada pacífica. Ele está em constantes brigas com a parceira. Chega permanentemente tarde à casa, e sempre a coberto da natureza da sua profissão, isenta de horário. O seu ordenado, tal como o de muitos outros trabalhadores, não cobre as despesas da lar, o que leva a parceira pensar que o mano Mosquito pode estar a sustentar uma outra família, algures.

As explicações que o mano presta à esposa, segundo as quais a situação financeira da empresa não é boa e que a crise económica que grassa pelo país e o mundo penaliza sobremaneira os mais carenciados, não encontram acolhimento. E sempre que há briga em casa, a esposa procura conforto na sograria, portanto, em casa dos pais do mano Mosquito. Este é convocado para, à porta fechada, se explicar sobre as sucessivas e consecutivas crises que dilaceram o seu lar.

Coitado dos velhos que não podem e nem devem ficar neutros neste processo pois, como escreve Desmond Tutu, arcebispo da Igreja Anglicana sul-africana e Prémio Nobel da paz em 1984, “se ficarmos neutros perante uma injustiça, escolhemos o lado do opressor”. Ora, sem pretender dizer que o mano Mosquito seja o injusto neste caso, ele acaba por carregar a cruz, pois, conforme dizem os seus próprios progenitores, cabe-lhe a responsabilidade primária de criar as condições para levar uma vida conjugal em paz e em harmonia. E porque gosta da sua querida Facília, vai reiterando as promessas do casamento de amá-la na alegria e na tristeza, na luz e nas trevas, na fome e na abastança, enfim… “até que a morte os separe”. Foi sempre capaz de convencer a mulher a regressar à casa e cuidar da família.

Mas, certa vez, o mano Mosquito “cansou-se” de ver os pais sofrerem por procurar soluções para um problema que, para ele, não é problema. Não imaginem a cilada que orquestrou.

Devido às crises conjugais, tia Facília deixou de cumprir parte dos seus deveres. Às vezes saía de casa sem dar satisfações à família, voltando a altas horas da noite sob a alegacão de visitar ora os pais, ora os tios, ora os irmãos, primos e por aí em diante, facto que não era do agrado do mano Mosquito.

Tendo atingido o ponto de saturação e para não enveredar pela violência doméstica a fim de resolver o imbróglio, mano Mosquito decidiu, certa vez, arrumar uma mochila com umas duas camisas e o mesmo número de calças, e rumar à casa dos sogros onde foi recebido com todas as honras devidas a um genro que cumpriu com todos os formalismos para a realização do casamento.

No primeiro dia foi-lhe cedido um quarto onde passou a noite. Logo pela manhã levantou-se e juntou-se aos sogros que iam à machamba. No regresso, água para o banho, uma refeição e depois a cavaqueira. Ao terceiro dia e, achando estranha a atitude do genro, estes decidiram convocá-lo a um encontro a fim de perceberem o que estaria a acontecer, ao que este respondeu que sempre que se desentende com a esposa esta refugia-se na residência dos pais dele e, ofendido, desta vez decidiu encontrar abrigo no domicílio dos progenitores da sua cônjuge, e que a tia Facília deveria ir ao seu encontro, tal como ele o faz e depois de explicações aos pais.

Por lá permaneceu o mano Mosquito, até que um dia a tia Facília decidiu fazer-se ao lar dos pais para dizer da sua justiça. Coisas da terra.

Salomao Muiambo

Câmbio

Moeda Compra Venda
USD 59,55 60,70
ZAR 4,37 4,45
EUR 69,97 71,32

15.12.2017   Banco de Moçambique

Opinião & Análise

ESTAMOS já na quadra-festiva. Caminhamos a passos largos rumo a mais um final ...
2017-12-17 21:04:11
HÁ uns anos um deputado da Assembleia da República, meu amigo,  ...
2017-12-15 23:30:00
IMPLICÂNCIA sem motivos. É comum não nutrirmos simpatia por ...
2017-12-15 23:30:00
AS FESTAS!... EM boa verdade elas, sobretudo as que se avizinham, são ...
2017-12-14 23:30:00
DEFINITIVAMENTE  não sou dono do meu tempo. Nunca fui, e jamais serei. ...
2017-12-14 23:30:00