ESTA semana começou praticamente com uma notícia triste para a música nacional, com a morte deum dos maiores guitarristas que a cidade da Beira viu nascer nos últimos anos.

Falo de Carlos Hernane Vaz, Nocas, para o mundo da música, um instrumentista oriundo de uma família de exímios executantes, que apreendeu a tocar com o seu pai nos anos 70.

Ultimamente, Nocas tocava em diferentes casas de pasto na cidade da Beira e não só, acompanhando outros artistas, entre nacionais e estrangeiros.

A morte viria a encontrar-lhe na madrugada da passada 2.ª-feira no leito do Hospital Central da Beira, onde entrara em estado crítico e a inspirar cuidados intensivos. São as leis da vida contra as quais não temos argumentos!

Os seus restos mortais foram sepultados esta 4ª-feira no Cemitério Hindu, arredores da cidade da Beira.

Com ele foi um sonho que me revelou na última vez que o entrevistei, em Junho de 2016, quando preparava o seu concerto de 34 anos de carreira e 50 de idade. Revelou-me nessa entrevista que tencionava abrir uma escola para ensinar os mais novos a tocar viola.

Explicou-me, a propósito, que a ideia lhe tinha surgido porque estava a receber muitos pedidos de jovens querendo a aprender a tocar guitarra e achando que ele era o mestre ideal para ajudar-lhes a concretizarem esse seu desejo. Infelizmente, o mestre partiu precocemente!

Gostaria, no entanto, de deixar escrito neste espaço que a morte do Nocas veio mais uma vez levantar o debate sobre o seguro social dos artistas, neste caso dos músicos. Sei que Nocas deixa dois filhos menores.

A quantas vai então a questão do seguro social dos artistas? Já se falou, se a memória não me trai, da possibilidade de eles, com os seus rendimentos, contribuírem a título voluntário no Instituto Nacional de Segurança Social, salvaguardando, desta forma, o seu futuro. Como terá ficado esta possibilidade?

Longe de procurar culpados “fora de casa”, tenho a impressão de que os próprios artistas, pelo menos alguns, estejam a fazer pouco para cuidarem de si e dos seus dependentes.

Pela minha afinidade com a cultura, tenho tido várias oportunidades de conviver com muitos artistas, e Nocas foi um deles.

Sempre percebi as dificuldades pelas quais muitos passam na vida razão pela qual alguns optam por procurar outras formas de sobrevivência.

Aliás, o próprio Nocas foi um exemplo disso quando trabalhou para uma ONG. Não sei o que depois se passou.

Penso que os artistas devem identificar formas ou talvez continuar esse exercício de forma a preservarem a sua posição como membros de uma sociedade onde cada um tem responsabilidades como indivíduo.

A este propósito, defendo que algumas coisas são realmente individuais. Podemos pertencer a qualquer colectivo, mas há decisões sobre o nosso destino que são mesmo individuais.

À parte esse lado individual, no passado Dia Internacional do Trabalhador os artistas desfilaram para, entre outras coisas, recordarem com ênfase à sociedade que “arte é trabalho”.

A questão é: como profissionais e como classe, o que estão a fazer para garantir o seu próprio seguro social?

Eliseu Bento

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