HÁ alguns anos viajei numa companhia aérea internacional, cujo  “catering” incluía no seu muito atraente menu  o caju, fiquei muito admirado.   Curiosamente, essa empresa de aviação civil, se a  memória não me falha, era de um país africano, do Magrebe,  portanto, não produtor deste fruto, a partir do qual se extrai a  castanha de caju.

Uma pequena pesquisa mostra-me que em África os principais produtores do caju são, para além do nosso país, a Tanzânia, Madagáscar, Nigéria, Senegal, Quénia, Costa do Marfim, Gana, Benin, e a Guiné-Bissau.

Lembro-me dos tempos de infância em que uma das actividades que praticava por altura das férias escolares era a  apanha da castanha de caju. Apesar de ser feita em ambiente de brincadeira, própria da infância, lá pelas bandas do que actualmente é o populoso bairro do Khongolote (município da Matola), a apanha da castanha era rentável.

Comerciantes locais compravam-nos a  castanha a um preço muito baixo, mas, mesmo assim, com o dinheiro daí resultante dava para comprar uns calcões, ou mesmo sapatilhas, entre outros produtos. Paralelamente, pessoas mais velhas, para além da castanha, colhiam o próprio fruto com o qual produziam o sumo fermentado e  o vendiam, ganhando dinheiro, que servia para a  sobrevivência de muitas famílias.

Outras pessoas produziam, com esse suculento  fruto, aguardente, que também era comercializado, servindo também de renda para muitas famílias, quanto mais não seja porque podia ser guardado por longo tempo.

Tudo isso já não se faz ali em Khongolote, a  terra que viu nascer os meus antepassados. Os cajueiros da minha infância foram transformados em lenha e  não foram plantados, outros porque a  terra foi, entretanto, parcelada e  alberga agora, nalguns casos, autênticos palácios e  palacetes, o que até é bom.

Ora bem. O que me trás estas recordações é o facto de notícias  mais recentes darem conta que o sector do caju em Moçambique arrecadou cerca de 7.4 mil milhões de meticais (120 milhões de dólares), resultantes da comercialização de 137 mil toneladas, desde que iniciou a campanha 2016/2017.

Na campanha anterior, 2015/2016, o sector arrecadou cerca de 23.1 milhões de dólares norte-americanos, correspondentes à comercialização de pouco mais de 100 mil toneladas.
Nas campanhas anteriores, a produção da castanha de caju situava-se em 80 mil toneladas. Tudo isto me faz pensar sobre onde anda tanta fruta que serve de suporte à castanha de caju. “Não tem como”, segundo fala o povo: não há castanha sem o respectivo fruto.

Em Moçambique há alguns anos alguém produziu sumo de caju não fermentado, que, embora os gostos não se discutam, eu penso que era de muita má qualidade, porque não o conseguia tragar. Muitas pessoas falavam mal deste sumo, que ao que parece desapareceu do mercado.

Um pouco por todo o país, as lojas e  supermercados estão abarrotados de sumos importados produzidos com outras frutas, quando nós praticamente deitamos fora a  nossa fruta. Quem vive em zonas onde há grande produção de caju sabe do que estou a  falar. Em Nampula, por exemplo, só artesanalmente se faz sumo fermentado de caju e do próprio aguardente. Em Inhambane, Gaza, Manica e  Zambézia,  idem.

Quero aqui apelar ao nosso empresariado para investir neste sector. Quem não gostaria de comer caju bem processado em pleno voo das LAM, por exemplo, e  depois comer a  respectiva castanha,  que pelo mundo fora é  um produto de luxo?

O Governo garante que o sector do caju dá  emprego e renda a mais de 1.4 milhões de famílias em todo o país. A castanha bruta moçambicana é exportada para a Índia e Vietname, e a amêndoa é comercializada nos Estados Unidos da América.

Quantos mais empregos podem ser criados com o processamento do próprio fruto de caju e  quanto dinheiro o país pode arrecadar com a  exportação dos sumos e  aguardentes? Eu acho que muito dinheiro está sendo deitado fora no sector do caju.
Por Lobão João

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