UM contraste está a caracterizar as transformações em curso na cidade de Maputo, sobretudo na sua zona baixa. Depois de um tempo de aparente estagnação, a capital do país registou o surgimento de novas construções públicas e privadas e a requalificação de algumas áreas, o que a fez ganhar uma nova imagem, mas o processo parece não estar a ser acompanhado de outras componentes importantes, próprias de uma urbe moderna que se pretende, seja Maputo.

Poderia abordar muitos problemas da Cidade das Acácias, mas neste artigo quero-me cingir apenas, ao mau cheiro provocado pela urina de pessoas que decidem satisfazer as suas necessidades fisiológicas nas ruas e sem pudor, sobretudo em áreas bem identificadas da zona da baixa. Nalguns casos, devido a falta de sanitários por perto, noutros, por falta de consciência do que esta atitude representa para a saúde pública ou para a imagem da cidade.

As estatísticas dão conta que Maputo é uma cidade de pouco mais de um milhão de pessoas, mas que nela circulam, durante o dia, mais de dois milhões de almas, que pressionam sobretudo a zona da baixa, dado ser o principal destino do fluxo de homens e mulheres que procuram o seu ganha-pão, no sector informal da economia.

Ao que tudo indica, na hora da implementação de políticas ou simplesmente da provisão de serviços, estes dados não são tidos em conta.

Já ficou claro que não será fácil libertar as ruas desta parte da cidade dos vendedores informais, a menos que se criem infra-estruturas capazes de absorver toda esta gente que está ali por razões estruturais que até extravasam as responsabilidades da autarquia, pois são conjunturais do país: a falta de emprego aliado ao êxodo para as cidades, factores estes, cuja discussão não é para aqui chamada.

Uma das consequências do fluxo destas pessoas, maioritariamente ligadas ao sector informal, se faz sentir no saneamento do meio.

Basta circular por algumas ruas da baixa para ser surpreendido com o odor forte causado pela urina de pessoas que decidiram fazer as suas necessidades fisiológicas na via por falta de sanitários públicos perto ou por falta de consciência das consequências do que o seu acto representa.

A situação é tão evidente nas ruas Timor Leste, no troço da Avenida Samora Machel que vai da Joe Slovo ao Porto de Pesca e daqui para a Praça dos Trabalhadores, e em quase toda a “Guerra Popular”. É um desconforto total passar por aquelas artérias, o que não abona a nossa cidade capital, pois esta prática ocorre numa área não raras vezes visitada por turistas, particularmente passageiros dos cruzeiros e outro tipo de embarcações que no seu roteiro turístico tem a baia de Maputo como escala. Podemos ter a certeza de que estes não levam boa imagem da cidade das Acácias.

Fala-se nos últimos dias de um grande projecto da edilidade de requalificação de passeios de grandes avenidas para resolver um outro bicudo problema da nossa cidade, que é de parqueamento de viaturas. Na minha opinião, a iniciativa devia contemplar sanitários públicos em condições nalguns pontos, sobretudo naqueles de grande concentração de pessoas, para evitar as anomalias que viraram normalidades na urbe, sem pôr de lado as campanhas de sensibilização para as pessoas abandonarem a prática de urinar na rua.

Há dias, registei a advertência feita pela especialista da saúde, Alda Mocumbi, de que a poluição do ar, é responsável por problemas respiratórios e outros em Moçambique e noutros países africanos.  

LÁZARO MANHICA - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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