NÃO sou propriamente um leigo na música. Percebo algumas coisas. Que me permitem parar em sentido quando me dizem que Ray Phiry morreu. E não podia comportar-me de outra maneira perante esse monstro do jazz africano. Na minha humilde opinião quero acreditar que todos os seguidores de Ray, ao saberem da notícia, só a tomaram como verdadeira porque a morte chega quando menos esperamos por ela. Caso contrário iriam desmentir a realidade, porque Ray Phiry esteve recentemente no Festival Az Go, em Maputo, comportando-se ao mais alto nível. Como sempre.

Não tenho muita coisa que possa falar sobre este sul-africano filho de pais emigrantes malawianos, porque não percebo muitas coisas sobre música, muito menos sobre Ray Phiry. A única coisa que sei é que ele era um músico notável. Já esteve várias vezes em Maputo. E sempre que a notícia da sua vinda fosse anunciada, as pessoas queriam ir vê-lo no palco. Num ciclo que não cansava. Eu também já o vi algumas vezes no campo do Desportivo de Maputo. Poucas. Mas foi o suficiente para ficar marcado pela forma como ele actuava. Parece uma criança brincalhona. A distribuir as suas pernas como se fossem elásticas !

Por falar de criança brincalhona, no próprio dia da sua morte, quando a notíca me chegou, eu estava sentado à uma mesa com amigos comentando o sucedido. Foi quando um deles disse que Ray Phiry parece uma criança brincalhona quando está no palco. E eu concordei plenamente com o meu amigo. Por isso repito as palavras dele. Ray Phiry na verdade parece uma criança brincalhona. Significa isto que, quem se comporta como uma criança brincalhona, só pode ser uma pessoa livre. Ray Phiry encarnava a  liberdade no palco.

Graças à Deus no bairro onde vivo, ainda mantenho alguns rituais dos tempos. Com os mesmos amigos. Que estão envelhecendo como eu. Mas a nossa velhice apenas se manifesta no enfraquecimento do corpo, porque a memória e o espírito mantêm a juventude. E fico muito feliz ao sentir isso. Aliás, quando publiquei a minha crónica na semana passada, evocando alguns episódios do Daniel Cuambe, em memória de quem dedico este texto, um amigo meu,  vivendo neste momento na Suazilândia, Agostinho Chelene, ligou-me dizendo que eu tinha memória de elefante ao lembrar histórias tão antigas. Fiquei muito contente.

Isto tudo é apenas para dizer que não sou velho para não saber quem é Ray Phiry. Já agora, nesta deixa, deixem-me lembrar-vos que na sua bandaStimela, de entre vários seus camaradas, destaca-se Nana Coyote, um artista respeitável, capaz de avançar quando Ray não está. E não foi por acaso que Paul Simon convidou o sul-africano nascido em Mphumalanga, para fazer parte do seu projecto na década de noventa.

Não tenho muita coisa para dizer, porque também não sei muita coisa sobre esta lenda. Apenas  gosto dele e quero homenageá-lo. Se faz bem o que faz, ou não faz bem, isso a mim não me interessa. O que me interessa é que ele era grande. Não sei porquê. Talvez porque os entendidos na matéria dizem que ele é um dos maiores ícones do jazz africano, o que faz com que eu também entre na onda, como o Daniel Cuambe entrou na onda da conversa sobre o antigo presidente do Benfica, o Manuel Damásio, sem entender nada de futebol.

Pronto, é melhor eu parar por aqui. Mesmo assim já falei demais.

Um forte abraço.

ALFREDO MACARINGUE

Câmbio

Moeda Compra Venda
USD 60,16 61,29
ZAR 4,58 4,67
EUR 68,75 70,04

17.07.2017   Banco de Moçambique

Opinião & Análise

BALBÚRDIA é o substantivo que caracteriza, melhor, os primeiros dias ...
2017-07-20 06:06:53
TALVEZ seja pequeno demais para falar ainda sobre um dos embondeiros dos ...
2017-07-20 06:05:50
EM minha opinião, os comerciantes que vendem aos humanos produtos alimentares ...
2017-07-19 07:15:52
EM plena cidade de Paris, França, onde esteve de visita no passado dia 13 de ...
2017-07-19 07:14:12
“SE continuarmos unidos, nenhum vento nos vai abanar mas se estivermos ...
2017-07-19 07:12:41