O INSTITUTO de Fomento de Caju de Moçambique (Incaju) anunciou esta semana que está a iniciar um inquérito especial ao sector em vários pontos do país com vista à definição de estratégias de produção.

Para mim, é sempre apaixonante falar ou ouvir falar deste sector. Já disse neste mesmo espaço o que estou a reiterar hoje. É que acredito que o sector pode contribuir muito para alavancar a economia nacional.

Mesmo no tempo colonial a castanha de caju era motor para o desenvolvimento da ex-colónia portuguesa do oceano indico, e do próprio império. Milhares de pessoas participavam na comercialização da castanha, ganhando dinheiro que servia para o seu sustento.

Pouco depois da independência nacional esse movimento continuou. As fábricas de descasque empregavam também milhares de trabalhadores. Políticas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, no início dos anos 90, impostas ao Governo acabaram com a indústria do caju no nosso pais, obrigando que a castanha fosse exportada em bruto.

O Resultado foi óbvio. As fábricas fecharam e milhares de empregos foram pelos ares. É animador ver o movimento tendente a inverter a situação. Embora sejam de pequena dimensão, novas fábricas foram inauguradas oficialmente em Nampula e Cabo Delgado.

Os números mais recentes indicam que a colheita que decorreu entre Outubro de 2016 e Abril deste ano chegou às 137 mil toneladas de caju produzidas e registadas pelo Incaju, valor que supera os resultados obtidos nos últimos 30 anos.

As autoridades referem que estes valores dizem respeito à produção declarada ou seja não incluem a totalidade da produção do país que se calcula seja muito maior.

As autoridades estimam ainda  que metade da castanha de caju produzida em Moçambique esteja fora do mercado formal. Isso é bom saber, mas os produtores têm que ser atraídos com bons preços para contribuir para o sector formal da economia.

Não é dignificante ver ambulantes nas estradas moçambicanas  correndo atrás de viaturas para  vender castanha, que não raras vezes é processada sem as mínimas condições de higiene.

Exemplo do que estou a  expor acima  está  patente na vila da Macie, em Gaza, Muxúngue, entre outros locais, onde pessoas visivelmente com fracas condições de higiene comercializam diariamente a  castanha de caju. Bom, mas esta é outra história.

O que apelo ao Governo  é que esse inquérito sirva de facto para se desenhar políticas públicas de caju que sejam sustentáveis. 

Há países africanos com uma boa experiência no sector. A pequena e  lusófona  Guiné Bissau, o Senegal a  Índia, por exemplo, faz da castanha de caju um produto-chave para as suas economias e  sobrevivência. Acredito que tenham alguma coisa para nos ensinar.

Lobão João

Câmbio

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14.09.2017   Banco de Moçambique

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