O ENCONTRO entre o Presidente da República, Filipe Nyusi e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, abre uma nova página na história das negociações, visando o restabelecimento de uma paz definitiva no país.

É, por outro lado, uma manifestação inequívoca do compromisso do Chefe de Estado de procurar uma saída dos problemas da pátria amada, com base na reconciliação da família moçambicana.

O acto abre caminho para a confiança que sempre travou os processos negociais e sela a ideia de que, quando os moçambicanos querem, podem fazer diferença. Assim é que é.

Aquando da visita do Presidente da República à província de Manica, foi notório nos seus discursos, a ideia de que só perdoando, discutindo os assuntos de coração aberto, vencendo preconceitos, o dossier da paz iria caminhar com cada vez maior celeridade e vencer o síndrome da desconfiança que sempre reinou nesta matéria.

Em todos os comícios que o Chefe do Estado orientou em Manica, deixou claro que falar da Renamo não deve pesar a consciência. Para muitos, pronunciar os nomes Renano e Dhlakama exige muito esforço, mas o Presidente da República desmistificou isso, mostrando que a política não se faz assim, que falar de um opositor político é um exercício normal na filosofia política.

Em Machipanda, por exemplo, Filipe Nyusi recebeu aplausos, ao reiterar ser necessário que os moçambicanos vençam o orgulho, conversem livremente uns com outros, se acarinhem uns aos outros, porque, segundo defendeu, Moçambique é terra de todos os moçambicanos e estes constituem uma única família, apesar das diferenças ideológicas existentes.

“Temos que vencer o orgulho e falarmos livremente uns com os outros. Temos que nos acarinhar, uns aos outros, porque Moçambique é terra de todos”, disse o PR, para quem os partidos são uma questão de ideologia e as pessoas não se devem perseguir uns aos outros, em razão da diferença das suas ideológicas”.

Comparando os partidos políticos à equipas de futebol, Nyusi disse: “podemos ser adeptos de determinadas equipas e no fim do jogo esta equipa perder e outra sair vitoriosa. Ninguém deve bater o outro por ser de outra equipa e ninguém se deve zangar por não vencer um determinado jogo”.

“É como vocês que são adeptos de várias equipas Textáfrica, Desportivo de Machipanda, Têxtil do Púngue, etc, podem escolher o clube que quiserem, mas não há motivo para se estar contra quem ganhou, dizer que vamos bater ou matar todos aqueles do Textáfrica porque ganharam, não! Jogamos, ganhou uma equipa e… palmas para a equipa vitoriosa e acabou” , sublinhou o Presidente.

“Eu estou aqui por dois motivos. No ano passado quando viemos, disseram: vai dialogar com o seu irmão Dhlakama para alcançamos a paz. Eu fui e estou a fazer. Temos estado a conversar. Alcançamos o acordo das tréguas, mas o que queremos é que passemos desta fase de tréguas para a paz definitiva” realçou Nyusi, acrescentando:

“Acatei ovosso conselho para diálogo e para isso é preciso ser humilde, saber perdoar, não ter orgulho. É preciso falar, sem escolha, com qualquer pessoa. É por isso que eu falo com o presidente da Renamo. Posso falar com qualquer pessoa, não há problema. Eu deixo de ser presidente se falar com qualquer pessoa? Assim que estou a falar convosco, já não sou presidente? Se for a sua machamba visitar-te, já não serei presidente? Questionou, reiterando: “Eu disse que sou presidente de todos os moçambicanos, que Moçambique é para todos. A questão dos partidos é um problema de ideologia e não deve ser motivo para nos matarmos uns aos outros”.

Dois dias depois de proferir estas palavras, eis que Nyusi vai à Gorongosa e encontra-se com o líder da Renamo. Foi, sem dúvidas, uma grande lição de humildade, sabedoria e demonstração de que ele faz aquilo que diz, que traduz em acções o seu discurso, diferentemente de muitos de nós.

 

VICTOR MACHIRICA

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