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Os Recenseamentos da População e Habitação são operações estatísticas que têm como finalidade principal a recolha de dados sobre os cidadãos, nomeadamente o número das pessoas que vivem num determinado país, a sua idade, sexo, grau de parentesco, línguas faladas, religiões professadas, entre outros aspectos. Pretende-se igualmente com os censos, recolher informação sobre os locais onde essas pessoas vivem, bem como sobre as condições em que vivem, nomeadamente o tipo de casas onde vivem, os locais onde se abastecem de água para consumo, etc.

Geralmente, o recenseamento da população e habitação é realizado, em muitos países, em períodos decenais. Noutros, é realizado quinquenalmente. As opções para decénios nuns casos, e quinquénios noutros, baseiam-se em critérios determinados pela realidade específica de cada um. Em Moçambique, os censos da população e habitação são realizados de dez em dez anos. O primeiro teve lugar em 1980, o segundo em 1997. O último, o terceiro, teve lugar em 2007.

Os dados dos censos da população e habitação são de vital importância para o desenho das políticas públicas por parte dos governos e para a planificação do desenvolvimento sócio-económico, em geral.

Decorridos 10 anos após o último, Moçambique está a realizar neste momento o quarto censo. Provavelmente muita gente poderá estar a questionar a pertinência da realização do presente censo, uma vez que o Instituto Nacional de Estatística (INE) realizou, nos últimos anos, vários inquéritos que trouxeram à superfície, informação relevante sobre a população e suas condições de vida.

Entre essas operações, poderão citar, por exemplo, o Inquérito Demográfico e de Saúde e o Inquérito aos Agregados Familiares sobre as condições de vida, entre outras pesquisas. Ora, como se sabe, a informação que é recolhida durante os inquéritos é de natureza limitada; pois, retrata apenas situações específicas de cada grupo populacional abrangido, mesmo tendo em conta que (os inquéritos) são desenhados para respeitarem o princípio da representatividade de todos os extractos sociais do país.

Os censos de população e de habitação são as únicas operações estatísticas abrangentes, durante os quais se procura recolher toda a informação sobre a vida sócio-económica dos residentes de um determinado país. Por sua vez, e por definição, os inquéritos são de natureza limitada, abrangendo grupos representativos da população, através da teoria de amostra. Não recolhem, por isso, dados sobre a evolução global do tecido demográfico do país; não recolhem dados sobre a evolução global do parque habitacional (construções, tipo de habitações, materiais empregues na sua edificação, etc). Não recolhem os dados sobre a evolução e distribuição espacial das infra-estruturas sociais e económicas, etc.

Portanto, os censos populacionais abrangem “todo o mundo” sem excepção. Aqui não entra a teoria da amostragem. O registo é feito de casa em casa. Durante os censos populacionais todas as pessoas são registadas. São, pois, estas as principais razões que determinam a necessidade e pertinência da realização de censos populacionais. São também estas razões que “delimitam” a diferença entre uma e outra operação.

Para além do que acima foi referido, vale a pena sublinhar, para substanciar a importância dos censos que, quer em cinco anos, quer em dez anos, muita coisa se transforma nas sociedades. E, essas mutações, na verdade estruturais, determinam, como não poderia deixar de ser, a redefinição de objectivos, estratégias e prioridades nos planos de desenvolvimento sócio-económico. De facto, perante evidências incontornáveis, os governos, os empresários, as organizações de apoio aos programas sociais, a academia, entre outros actores, são obrigados a adaptarem os seus planos, os seus projectos, à realidade trazida pelos censos. Reside, pois, aqui, a importância dos censos populacionais.

Marcelino Silva - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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