QUANDO há alguns anos eu colaborava no jornal brasileiro “ Brasil de Fato” (assim mesmo sem o “c” ), a minha editora de então, a escritora Marlene Felinto, sugeriu-me que entrevistasse o Francisco Esaú Cossa, ou simplesmente Ungulane Ba Ka Khossa.

Ela argumentou que o Ungulane era muito admirado pelo povo no Brasil e seria interessante que a entrevista fosse feita pois teria muito impacto no Brasil e isso ajudaria na publicidade do jornal que, entretanto, acabava de ser fundado.

O “Brasil de Fato”, que pode ser lido “on line”, é um semanário de esquerda que defende os chamados “sem terra”, ou seja, o “povão”, como comummente ouvimos falar nas novelas daquele país da América do Sul, falante do português com “pimenta”.

O “Brasil de Fato” apoiou muito (e ainda apoia) os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousself. Depois de receber a sugestão da editora, telefono para o Ungulane, mas não sou atendido. Insisto, nada. Teimo em insistir e ele finalmente responde que estava em terras de Manica e que no regresso falaríamos.

Mando essa resposta por email à minha editora que, por seu turno, como é costume dos editores de jornais, ficou desapontada comigo e me responde que o que ela quer não são justificações, mas a entrevista que quer ver publicada ansiosamente, por que já a tinha planificada etc., etc.

Finalmente, Ungulane regressa a Maputo e sentamo-nos na esplanada do Restaurante Continental. Com o Ferrat Momad, da Agência de Informação de  Moçambique (AIM), a fazer fotografias de luxo, conversei longamente com o Khossa. Eram dois Khossas a baterem papo, pois afinal, segundo relatos familiares, eu também sou descendente do guerreiro Maguiguana Khossa, apesar de oficialmente ostentar outro apelido, por razões alheias à minha vontade.

Os espíritos dos nossos antepassados devem-nos ter protegido muito. Enviei a entrevista para o jornal e na edição seguinte foi publicada. Coincidência ou não, o Ungulane foi dias depois convidado para viajar por aquelas terras sul-americanas e deu palestras sobre as suas obras.

Não é massada dizer que conheci o Ungulane em 1985, como meu professor de História, na Escola Secundária Francisco Manyanga. Nunca tinha gostado das aulas de história, mas com o professor Francisco Khossa passei a gostar. Foi pena, alguns meses depois foi substituído pelo Luís Covane, que mais tarde se tornou vice-ministro da Cultura e actualmente reitor da Universidade Nachingweia.

Nesse ano, por ironia do destino, chumbei a décima primeira classe, somente por causa da disciplina de História. Era assim naquele tempo: bastava chumbar a uma disciplina, repetia-se tudo no ano seguinte.

Não guardo mágoas ao rigoroso Professor Doutor Covane, daí que até hoje nos cumprimentamos com sorriso nos lábios sempre que nos encontramos.

Escrevo estas linhas como espécie de justificação por ter faltado à homenagem de Ungulane havida recentemente por ocasião dos seus 60 anos de vida. Não encontrei outra forma de individualmente lhe prestar homenagem.

É que para mim o Chico, como é tratado pelos seus amigos, deve ser fonte de inspiração sobretudo para a juventude. Hoje em dia poucos jovens valorizam a literatura. Poucos jovens lêem livros. No campo cultural preferem cantar e dançar, porque isso aparentemente dá pouco trabalho e muita fama em pouco tempo.

O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano devia pegar no Ungulane e pô-lo a andar pelo país fora, a dar palestras nas escolas primárias, secundárias e universidades, pois julgo que desta forma pode-se estimular o gosto pela literatura. Ele, para além de escritor, tem uma longa experiência como docente.

É uma pena ele ser valorizado lá fora do que cá dentro. As palestras e as viagens custam dinheiro? Claro que custam. Mas o retorno pode valer muito mais do que o investimento. Com parcerias bem feitas pode-se arranjar dinheiro para isso, pois como temos visto na televisão, há dinheiro para patrocinar futilidades. Parabéns pelo seu aniversário Ba
Ka Khossa.

Lobão João

Câmbio

Moeda Compra Venda
USD 59,55 60,70
ZAR 4,37 4,45
EUR 69,97 71,32

15.12.2017   Banco de Moçambique

Opinião & Análise

HÁ uns anos um deputado da Assembleia da República, meu amigo,  ...
2017-12-15 23:30:00
IMPLICÂNCIA sem motivos. É comum não nutrirmos simpatia por ...
2017-12-15 23:30:00
AS FESTAS!... EM boa verdade elas, sobretudo as que se avizinham, são ...
2017-12-14 23:30:00
DEFINITIVAMENTE  não sou dono do meu tempo. Nunca fui, e jamais serei. ...
2017-12-14 23:30:00
TERMINEI o último artigo manifestando pesar pelo facto de as obras de ...
2017-12-14 23:30:00