HÁ alguns anos que tenho tido o privilégio de fazer a cobertura das chamadas presidências abertas às províncias e/ou distritos, postos administrativos, localidades e povoados.

Por outras palavras, tenho tido tal ensejo desde o tempo do Presidente Joaquim Chissano, a passar por Armando Guebuza até ao actual Chefe do Estado, Filipe Nyusi, sendo que a última terminou precisamente no sábado passado no distrito do Búzi, em Sofala.

Gostaria, desde já, de dizer que o propósito destas linhas não é propriamente fazer qualquer análise desse exercício, mas tão somente falar do que vou chamar “O outro lado das presidências abertas”, à parte a interacção com a população, as sessões extraordinárias e as visitas e inaugurações a empreendimentos sociais e económicos.

Pois, o que vou observando ao longo destes anos todos é que de cada vez em que se anuncia a vista do Presidente da República às capitais provinciais, sedes de vilas, postos administrativos, localidades e povoados são sujeitos a uma verdadeira “lavagem de imagem”.

Quase sempre, quando o Presidente está a caminho, muitas estradas, pontes ou acessos são reabilitados ou mesmo construídos. Edifícios públicos, palácios, escolas, centros de saúde, mercados e outros locais por onde o Chefe do Estado vai passar mudam de visual. Até as árvores são podadas e os caules caiados de branco. O capim é cortado. Os aeródromos, onde os há, “aproveitam” para melhorar a sua segurança.

Não raras vezes, trabalha-se noite e dia na véspera das visitas presidenciais. Homens e máquinas são mobilizados. Tanta é a azáfama de última hora de tal modo em que permanecem lugares que cheiram à tinta até à altura em que o Chefe do Estado desembarca!

Todavia, devo reconhecer que tais obras acabam sendo de grande utilidade no pós-presidência aberta. Tornam-se um enorme legado, por conseguinte.

Ou seja, uma estadia de algumas horas vai resolver problemas que há meses ou mesmo anos pareciam não ter solução.

Ainda assim, a pergunta que muitas vezes também fica é esta, se não for indiscreta:

Era necessário o Presidente da República vir para reabilitarmos aquela estrada, aquela ponte ou aquele mercado? Era preciso o Chefe do Estado vir para podarmos aquela árvore?

Cá entre nós: parece que isso pode ter a ver com os nossos hábitos. Tipo, mesmo em nossa casa melhoramos alguma coisa quando vamos receber uma visita!

Quando temos visita também aproveitamos para comer aquela galinha que está na capoeira há muito tempo ou aquele frango que está no congelador!

Quando temos visita sacudimos a poeira, trocamos a cortina e rearrumamos os móveis lá da nossa residência!

Quando temos visita é quando descobrimos que em casa faltam copos, garfos, toalhas de mesa ou lençóis!

Então, se a lógica é essa, é melhor o Presidente da República vir mais vezes, sobretudo às nossas vilas, postos administrativos, localidades e povoados, porque as suas visitas trazem realmente a diferença, não apenas pela monitoria aos megaprojectos, mas por esse outro lado!

 Eliseu Bento

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