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COMEÇO a habituar-me a esta coisa de abrir jornais e encontrar, nas páginas desportivas, parangonas em torno de grandes polémicas do nosso Desporto, sobre coisas tristes, e cada vez menos sobre as alegrias que esta actividade tem a virtude de proporcionar à humanidade.

O desporto moçambicano está a viver um momento extraordinário, em que várias luzes acendem, aqui e acolá, iluminando algumas zonas de penumbra. Talvez seja por isso que as controvérsias e angústias do desporto encontram espaço nos jornais, porque são cada vez maiores as evidências de que, afinal, temos andado a varrer o lixo para debaixo do tapete.

Felizmente bastam pequenos exercícios para compreendermos isso, como deu para perceber no simpósio sobre “scouting – captação e gestão de talentos” realizado em Maputo, no qual foram afloradas algumas ideias sobre como fazer o sucesso acontecer no nosso Desporto. Uma delas, e talvez a mais importante a reter, é que nós, moçambicanos, precisamos aprender a confiar tarefas certas a pessoas certa, tendo em conta as habilidades e competências requeridas para a função. Uma má escolha neste ponto, é meio caminho andado para o fracasso!

A conversa tinha a ver com o futebol mas, devido à cientificidade com que a conversa foi fluindo, acabou por ficar claro que os problemas que encontramos no futebol, são mais ou menos os mesmos que podemos encontrar em qualquer noutra modalidade, e todos gravitam à volta da gestão.

Contentamo-nos com pouco, com as vitórias esporádicas alcançadas numa e noutra especialidade, e nunca paramos para pensar que nada acontece ao acaso, que há uma ciência por trás do Desporto, um conhecimento que até existe entre nós, mas que é sistematicamente trivializado a favor do amiguismo, do nepotismo e outros “ismos” prejudiciais ao desenvolvimento desportivo.

Não permitimos que a competência seja o critério de base para a escolha dos gestores o nosso desporto e, facilmente, embarcamos na falsa ideia de que um antigo bom jogador pode ser um bom treinador; um bom dirigente ou um grande caçador de talentos.

Com tanta “distracção” a orientar o nosso desporto, vamos vendo gente a assumir, de forma corajosa, responsabilidades de trabalhar em modalidades com as quais não só não se identifica, como também não tem qualquer ligação, competência técnica e muito menos habilidade para o fazer. Resultados negativos destas aventuras, existem às dezenas!

Há dias, a campeoníssima Lurdes Mutola, levantou  véu a uma outra dimensão deste problema, partilhando histórias sobre a má conduta dos gestores desportivos nacionais, em vários momentos da sua participação em eventos mundiais, representando as cores nacionais.

Infelizmente, e sem pudor, alguns destes maus gestores sempre tentaram ganhar protagonismo, procurando fazer passar a falsa ideia de que por trás do sucesso da Lurdes Mutola estava uma máquina funcional de gestão da carreia da atleta. Hoje todos sabemos, da própria Lurdes, que há muitos trafulhas no dirigismo desportivo.

Embora não se tenha referido a nomes, hoje sabemos que há gente assim no atletismo. Amanhã, quem sabe, saberemos de dirigentes da mesma estirpe no futebol, no basquetebol, no hóquei, no boxe, na canoagem, no vólei, no xadrez, na canoagem ou em qualquer outra modalidade desportiva praticada em Moçambique.

E, por falar em futebol, há dias ouvi Artur Semedo distribuir farpas e recados aos seus correligionários do Moçambola, depois que o seu Chibuto perdeu o jogo do último Sábado com o aflito Maxaquene. Pelos vistos, o mister Semedo ainda não percebeu que as coisas não deixam de estar bem apenas quando ele perde. Estão mal mesmo quando ele ganha, e continuariam mal mesmo se o seu Chibuto tivesse ganho ao Maxaquene.

Começo a pensar que é também por causa de “leituras” como esta, do Artur Semedo, que o Desporto moçambicano continua a varrer lixo para debaixo do tapete.

Júlio Manjate - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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