Eternas e ingénuas crianças. Crianças que, talvez por isso mesmo, não sabem sequer ler e muito menos interpretar os sinais do Senhor que sempre os coloca ao alcance delas. Ele, que como alguém dizia, é o dono do tempo, da hora, do minuto e do segundo.

Eternas e ingénuas crianças, quais grinaldas alindando o jardim do seu dono.

Grinaldas qual regalo para os olhos de quem cuida. Quem cuida na convicção de que são sua pertença e se ia embebedando com a fragrância que elas libertam.

Regressando de mais uma jornada, qualquer que ela fosse, não enjeitava, por razão nenhuma, o gozo que lhe dava o cheiro do jardim, particularmente de uma flor branca, que julga sua. E naquele dia, foi tempo monstro nesse deleite que afinal não mais existiria.

E então não é que, de forma enigmática, veio o verdadeiro dono colher a sua linda flor, logo pela manhã e ainda a luz não tinha vencido totalmente a escuridão. Foi justamente aquela rosa branca que distribuía sorrisos e vigorosos abraços a todas aquelas outras que a circundavam. Que as tornava mais elas e únicas.

Julgaram-se então senhoras absolutas da rosa branca e quando ficaram sem ela, o direito ao pranto sobre elas foi concedido.

Era uma flor branca que aos poucos ia-se tornando menos quente, já que da terra, onde recebia o fogo, tão cedo se tinha libertado.

Ela apenas lá esteve uns dezoito anitos e vinte e três dias. O mesmo tempo das noites, das madrugadas e dela se tendo apenas o seu perfume, a graça da sua rebentação que de forma simplesmente inexplicável se ia repetindo para a alegria do jardim.

Em dezoito anitos e vinte e três dias, nunca se a ouviu desejo algum. Nunca se a ouviu vontade nenhuma. E o seu pretenso dono sabia quando ela precisava de água. Quando ela precisava de adubos. E era feliz no seu mundo. E punha feliz todo o jardim que habitara por essa pouca soma de meses de indelével presença.

Nem a forma angélica como ela deixou o jardim, depois de rebentações várias no dia anterior, não ter o seu convívio, não podia ser suficiente para a massajar as almas daquelas que deixavam de com ela sorrirem, de com ela perfumarem o mundo circundante.

E ao terceiro dia, aquele que sempre se julgou dono do jardim, dono da flor branca, com ela, pelo chão preto de alcatrão, andou pouco mais de vinte e seis quilómetros. Ela ia viver para outro jardim. E então se imagina que se pudesse voltar a este, diria que eu estou feliz. Vivo num lindo jardim. Estou muito feliz, a comer mangas saborosas e suculentas. E esse jardim que deixei não tinha o encanto e a riqueza deste.

Já nas proximidades do lugar dela, ela e quem sempre se julgou dono, dois pombos e um corvo de gravata branca fizeram o cortejo e por tempo considerável, fizeram sobrevoos ao mesmo tempo que o corvo de gravata branca libertava o seu canto de solenidade.

Este menino é um Santo, disse para quem quis ouvir um homem de respeitável idade.

E o que resta mais? Aprender a viver com a ausência desta flor branca. Uma ausência que ainda assim, enche este jardim.

Djenguenyenye Ndlovu

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