A INSPECÇÃO Nacional de Actividades Económicas (INAE) continua a encontrar gente que alimenta os outros de porcaria. Porcaria que a vítima compra, “numa boa”, convencida de que o fornecedor é pessoa honesta, asseada, limpa e que navega dentro das normas estabelecidas para o exercício da actividade que abraçou. Nada disto está a acontecer em alguns sítios nos nossos dias.

Semana passada, a INAE foi desactivar, na Matola, um desses sítios, que vende porcaria ao cliente e este convencido de que está a comprar coisa certa e em lugar certo. Vendiam carne podre, num sítio cheio de imundície, em autêntico atentado à saúde pública. Guardavam carnes de diversas espécies misturadas no mesmo sítio. Misturaram carne de vaca e de porco, apesar de saberem das aversões de clientes a estas misturas, por vários factores.

Um dos gerentes tentou justificar o facto, afirmando que a carne apodrecia, porque nos congeladores, a fresca fica por cima, sendo então a primeira a ser vendida, enquanto a de baixo ficava mais tempo, por isso se deteriorava. Não justificou as misturas de carnes e nem o facto de estarem a trabalhar naquela imensa sujeira. Tudo sujo, não parecendo vender produtos alimentares.

O sítio fez-me recordar um outro matadouro em Chimoio, esse até público, porque pertença do município. Aquilo nem devia ter funcionado alguma vez. Tanta era a sujidade que não havia ali sequer mínimas condições para trabalhar. A imundície era tanta e o lugar não tinha uma infraestrutura adequada para matadouro.

Agora o que intriga “Timbilando” é saber que estabelecimentos nestas condições continuam por aí a aparecer aos olhos de todos, depois de termos testemunhado o que aconteceu naquela “fase quente” da inspecção destas unidades, em que muitas foram multadas e/ou fechadas por situações similares.

 Será que a gente não aprende com o que acontece ao vizinho? A gente não consegue ver, quando é que estamos dentro dos padrões exigidos e quando é que não, tratando-se de higiene e limpeza? Não conseguimos enxergar, se possuímos esses padrões ou não? Não podemos, nós próprios, criar essas condições sem que ninguém venha nos incomodar?

Esta semana, a INAE mandou reabrir um destes estabelecimentos que fabrica produtos alimentares, fechada porque, além de tanta imundície, foram encontrados excrementos de ratos dentro da matéria-prima. Um dos trabalhadores dizia, às câmaras de televisão, estar muito satisfeito por a fábrica ter reaberto. E que tinham trabalhado muito para colocá-la limpa e com grande asseio. Afinal, a limpeza não devia ser “o pão-nosso de cada dia” do funcionamento das instituições?

É que não se compreende que a INAE, a esta hora do campeonato, ainda continue a chafurdar na lama da imundície, em unidades que há muito já deviam saber como devem estar e como devem ser.

Não precisamos de inspeção nenhuma para sabermos que a nossa casa deve ser limpa. Não precisamos da INAE para constatar que os alimentos que servimos estão acondicionados em sítio limpo e adequado. Não precisamos dela para vermos se estamos ou não a trabalhar dentro dos requisitos de higiene e segurança no trabalho adequados para o nosso sector. Ela devia ser precisa para uma minoria que prevarica. Será que aqui o quadro está invertido?

Então, porque é que continuamos a ver estabelecimentos a vender produtos alimentares fabricados em condições abaixo de cão? Serão atitudes deliberadas? Serão voluntárias? É o brincar a gato e rato, no sentido de que alguém diz “ vou vender isto a estes animais e vamos ver se me apanham”? É assim?

Por último, devemos fortificar as nossas associações de defesa do consumidor para serem mais enérgicas e actuarem da melhor maneira nestes casos desumanos, que têm a ver com a saúde do consumidor, mais ainda com a saúde pública. O consumidor tem o direito de saber sobre o que está a comprar e consumir, sobretudo de ver os seus direitos respeitados por qualquer vendedor ou fornecedor.

Não precisa de entrar neste jogo de gato e rato para ver os seus direitos devidamente respeitados, para não adensar os seus pensamentos com dúvidas sobre a qualidade do que está a consumir, por causa de gente que cultiva a marosca em tudo o que vende ou fornece e tenta enganar os outros, mesmo quando o assunto tem a ver com a nossa saúde.

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