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DEIXEI a cidade de Inhambane pouco depois das 13.00 horas de segunda-feira com destino à da Maxixe para um encontro com o administrador do distrito. A audiência tinha sido marcada na capital do país, onde nos encontramos durante o 11.º Congresso da Frelimo.

São cerca de 60 quilómetros que separam uma da outra urbe e pelos cálculos, na minha habitual marcha, 80 quilómetros por hora. Estava comprometido com tempo, daí que decidi acelerar um pouco mais. Porém, a escassos cinco quilómetros daquela que é considerada a capital económica da província sou obrigado a abrandar a marcha. Uma multidão a preencher a estrada. Umas pessoas circulando no sentido sul-norte e outras no sentido contrário. Por via disso, não encontro espaço para circular, mesmo a 40 quilómetros recomendados naquela zona. Estou atrasadíssimo à audiência, lamentei para os meus botões.

Mas, afinal, quem são as pessoas que constituíam tal multidão que atrapalhava a minha viagem e a de tantos outros? Simples. Alunos da Escola Secundária de Chambone. Uns estavam de saída das aulas e os outros se dirigiam ao estabelecimento de ensino para o início do seu período lectivo.

Tratei os meus assuntos na cidade, quis o destino, e no regresso à capital provincial, cerca das 17.00 horas, voltasse a encontrar aquela movimentação de pessoas na mesma zona. Desta feita, os alunos do turno da tarde saiam da escola para as suas casas e os do curso nocturno se dirigiam ao estabelecimento de ensino. Novamente, forçado a reduzir a velocidade.

No dia seguinte, terça-feira, trabalhei em Nhacoongo, distrito de Inharrime. Fui fazer a cobertura dos preparativos do lançamento da safra agrária 2017-2018. Dirigiu esta actividade o governador da província que, para o local, chamou todos os agricultores de Inhambane a uma troca de experiências sobre as novas tecnologias para a produção de comida.

Perto do meio-dia, parti de regresso à cidade de Inhambane e um pouco antes de Nhaduga encontro o movimento semelhante ao do dia anterior em Chambone. Aqui eram alunos da Escola Completa de Nhaduga que, atabalhoadamente, caminhavam em plena estrada principal, obrigando os automobilistas a um redobrar da atenção para evitar a ocorrência de qualquer incidente com a rapaziada estudantil.

Aqui fiquei um pouco aborrecido porque me percebi de que aquele movimento se prolongava até à cidade e Nhaduga não era única zona ao longo da estrada com escola nas bermas.

Na minha humilde opinião, na perspectiva de reduzir o sangue nas estradas, estes factos deviam ser evitados. Como? Uma das acções seria afastar todos os focos de concentração de pessoas nas bermas das vias públicas, nomeadamente escolas e mercados, colocando-os um pouco mais para o interior.

Se não for possível retirar as escolas construídas nas bermas das estradas, então, é preciso pensar-se que no futuro há toda a necessidade de evitar a construção de estabelecimentos de ensino perto das principais rodovias do país.

As autoridades governamentais, nesta província, têm consciência da perigosidade da movimentação de crianças na entrada ou saída das escolas, razão pela qual no ano passado ordenaram o encerramento de todos portões das escolas frontais às estradas.

Victorino Xavier

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