MOCÍMBOA da Praia, na província de Cabo Delgado, está desde há uma/duas semanas em efervescência. Um grupo de origem duvidosa, munido de armas de fogo decidiu, não se sabe com que pretexto, aterrorizar a população.

O grupo, com traços iminentemente fundamentalistas, assaltou primeiro o Comando Distrital da Polícia e, em sucessão, outras unidades das Forcas de Defesa e Segurança, pondo em causa uma das principais funções do Estado, que é garantir a segurança dos cidadãos.

Até hoje, muito pouco ou nada se sabe sobre quem são estes indivíduos. Há correntes de opinião que associam o grupo aos extremistas do “al shabab”, que lutam em alguns países africanos pela imposição da sharia (lei islâmica), isto a julgar pela forma como desencadeiam as suas operações. Outras correntes dizem tratar-se de simples malandros, interessados na desestabilização. Nenhuma das hipóteses é de ter no quadro da busca da verdade.

Ora, duas semanas após a eclosão dos assaltos, torna-se premente para a população da Mocímboa da Praia e não só, saber quem são, na verdade, estes homens, quais as motivações dos ataques, onde adquirem as armas e munições e, porque tais operações parecem coordenadas, onde reside o comando do grupo, qual a sua origem, entre outras questões.

Salvo melhores correntes de ideias, entendo que o foco de instabilidade que vem da Mocímboa da Praia está a ser tratado com muita superficialidade e até subjectividade, se não vejamos: Em tempo oportuno a população denunciou movimentos estranhos no distrito sem que as autoridades locais dessem importância aos factos. Na mesma ocasião descreveu-se o grupo como possuindo influência do islão radical, sem que, uma vez mais, as autoridades dessem importância. Hoje, apesar da existência de alguns meios de prova sobre quem podem ser estes indivíduos, ainda nada se disse, pelo menos publicamente, para a intranquilidade da população. A detenção de alguns homens pertencentes ao grupo e a consequente captura de parte do seu armamento constitui, para mim, a “prova prima face” ou seja a prova de primeira aparência que, mesmo não produzindo plena convicção, produz, ao menos, algum grau de probabilidade sobre quem são e o que pretendem estes elementos. Aliás, os próprios detidos servem de testemunhas de factos que não lhes são estranhos, podendo-se estabelecer nexos de causalidade se se tomar em consideração o seu papel na delicada operação de aterrorizar a população. Estariam eles a “meter os olhos pelos dedos”, como sói dizer-se, se não assumissem o seu envolvimento nos actos de que são indiciados.

Enquanto não se esclarecerem estas questões e outras aparentemente marginais, mas importantes para o esclarecimento do caso e enquanto não se eliminar este bando armado, insinuar a população da Mocímboa da Praia para se manter calma, conforme os apelos feitos, é o mesmo que pregar no deserto. A população sabe que o grupo mantém-se activo e, tal como se viu dias depois do primeiro ataque em que os homens voltaram à carga contra certas posições das Forcas de Defesa e Segurança, teme que a qualquer momento o bando descarregue a fúria sobre ela.

É importante termos em conta que o grupelho é activo hoje na Mocímboa da Praia. Porém, não nos surpreendamos que amanha, com os mesmos pés de ladrão, o grupo estenda as suas acções para outros pontos da província de Cabo Delgado, ramificando-se depois por todo o país. Sábios apregoam que é preciso matar o jacaré enquanto pequeno porque uma vez adulto torna-se perigoso.

Se estamos lembrados, meus amigos, a guerra dos dezasseis anos teve origem numa minúscula zona do centro do país e com o tempo, a instabilidade se estendeu sorrateiramente para o norte e sul, ganhando proporções de difícil controlo. Só 16 anos mais tarde e com as drásticas consequências daí decorrentes foi possível terminar o conflito, com a assinatura do Acordo Geral de Paz.

Ainda amargurados pelas feridas causadas por este conflito, ninguém quer mais voltar a passar por situações semelhantes pelo que se impõe a rápida expurgação deste grupelho porque nocivo para a saúde política, económica e social dos moçambicanos. E isso só será possível com a Unidade, Trabalho e Vigilância.

Salomao Muiambo - (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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