Passam cerca de duas semanas que contei a história onde o personagem principal era o Luciano Matsena. O meu amigo de Marromeu. Lembram-se?  Recordam-se que Matsena, nessa história,  surpreendeu-me ao telefone depois de uma temporada em que não nos falávamos?

Lembram-se ainda do que ele disse sobre Joaquim Chissano, o ex-presidente que não tem muitas pontas por onde  se lhe  pegar? Se não se lembram do que ele disse sobre Chissano, eu vou vos avivar a memória. Ele afirmou que gostou do discurso do homem, mas que, entretanto, não entendeu nada. Agora já se lembram? Espero bem que sim.

Ora bem, Matsena voltou a surpreender-me como um mandawu típico, que detesta ficar aprisionado nas gaiolas como as perdizes. Foi num dia de muito calor, com as temperaturas a “picarem”,  - como diz o bonacheirão do António Jamal, locutor liberal da Rádio Moçambique – nos 35 graus. Resolvi passar pelas barracas do “Mercado do Povo”, na  capital, não que eu frequente aquele lugar, mas porque ali podia reencontrar  velhos amigos e renovar abraços.

Lá fui, preparado para tudo, inclusive para ser “assaltado” por amigos que, querendo saber de mim muitas coisas ao mesmo tempo, vão se tornar inorpotunos. Mas eu fui. Refira-se que o “Mercado do Povo”, por fora, parece um lugar lúgubre, mas lá dentro anima. Fez-me lembrar, nesta revisita, um filme que assisti há muito tempo,  cujo título é “ a orgia dos loucos”. Parecia que todos estavam em regabofe. E eu tinha duas escolhas: meter-me também no regabofe, ou escolher um lugar discreto para assistir ao regabofe.

Foi nesse vai-que-não-vai que senti uma mão pesada sobre o meu ombro, obrigando-me a virar para ver quem era. Não reconheci o homem, gordo, quase obeso, cheio de barba. Fiquei a olhar para ele com estranheza e ele percebeu que não estava a reconhecê-lo. E disse-me logo sem rodeios: você também está gordo, Macaringue. Sou eu, o teu amigo. O Matsena. Envolvemo-nos num longo abraço. Aliás, ele, por ser um grandalhão, é que me abraçava, eu parecia uma criança no seu peito. Senti-me de certa forma humilhado, mas depois passou.

Matsena - sentado à uma mesa longe do bulício - pediu uma garrafa de vinho para comemorarmos o nosso reencontro, e enquanto conversávamos, depois do txim-txim da ordem, lembrei-me do Albino Magaia, quando dizia que o jornalista de quando em vez tem que passar de um bar, porque lá circulam muitas notícias. E Magaia não mentiu. No “Mercado do Povo” a bebida é consumida à rodos, na mesma proporção que é destilada conversa diversa, fiada e séria, cada um falando o que quer. Em liberdade e  sem medo de nada.

Matsena é uma pessoa emocional. Envolvente. Tudo para ele vai terminar em bem. Por exemplo, voltou a falar do Congresso da Frelimo realizado no mês passado. Disse que aquilo não era nada. “Eu não me emociono com discursos bonitos. O importante para mim é a acção. Agora quero ver o que Nyusi vai fazer, depois daquelas bombas todas que lançou. E não tenho dúvida de que ele – o Presidente – tem uma dura tarefa – mas é claro que não pode avançar sozinho,temos que ir com ele. Todos os sensatos devem avançar com ele.

O vinho está bom. Há muito que eu não bebia “Torres vedras”. É tão bom que já estamos a pedir a segunda dose de petisco de fígado de porco. Matsena fala mais do que eu. Diz que veio à Maputo para fazer prova de vida, porque o seu processo está aqui na capital. A dado passo, ele mudou de conversa e perguntou-me:

 - Macaringue, tu que estás aqui no Maputo, sabes alguma coisa sobre aquele tractor que Nyusi rejeitou?

- Não, não sei de nada – respondí-lhe eu.

- Se o Mabjaia, o primeiro-secretário, mandasse aquela máquina para Marromeu, tu não estás a imaginar as maravilhas que o pessoal havia de fazer com ela!

Concordei com ele ao mesmo tempo que sorvia mais um gole do gostoso vinho.

Quando pedimos a terceira garrafa, nós os dois já não sabíamos muito bem o que estávamos a dizer, por isso optamos por alugar um táxi para nos levar à casa, antes que acontecesse o pior.

Abraços !

Alfredo Macaringue

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06.11.2017   Banco de Moçambique

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