MAIS um linchamento ocorreu ao princípio desta semana na cidade da Beira, elevando para 10 ou 11 (os números divergem) os casos ocorridos nesta região do país desde o início do ano.

Um parênteses para deixar dito que há muito a província de Sofala é tida como a “campeã nacional” nesta prática de “justiça pelas próprias mãos”! Mau grado!

No último caso, a população voltou a “executar” o suposto malfeitor com recurso a pneus, sacos plástico, lenha e papel, enquanto os seus comparsas se escapuliam.

O “dito”, como não raras vezes acontece, era conhecido dos populares pelas suas recorrentes peripécias consubstanciadas em assaltos, roubos, violações sexuais a mulheres indefesas e outras contravenções à ordem pública.

Com mais este linchamento, volta a debate um assunto que me parece continuar a precisar de ser abordado de outra forma, enquanto persistir, naturalmente.

Às vezes dá impressão de que nos esquecemos dele, mas volta e meia temos mais um caso.

Pois, o fenómeno linchatório, como já lhe chamou o sociólogo Carlos Serra, está aí em estado latente e numa espécie de “braço-de-ferro”.

Por um lado, a população justifica que faz justiça pelas próprias mãos porque, no seu entender, por vias legais os malfeitores não são devidamente responsabilizados.

A velha história de que os bandidos que aterrorizam as pessoas são os mesmos. Já entraram e saíram várias vezes da cadeia. Então, a solução é única: eliminá-los à maneira!

No reverso da moeda, as autoridades insistem, e com razão, que ninguém está autorizado a tirar a vida a outrem, seja por que motivo for.

Que as pessoas, caso neutralizem algum bandido, devem, tão somente, denunciá-lo e/ou entregá-lo à polícia que vai tomar conta dele e seguir a tramitação legal.

E estamos nisto. Nem água vai, nem água vem! Os linchamentos continuam. Quem põe o guiso ao gato?

A população, no meu entender, já deu sinais bastantes de que vai continuar a linchar os bandidos sempre que os tiver à mão porque “estamos cansados”, como frequentemente repete.

Já se realizaram várias campanhas de sensibilização pelos bairros adentro para as pessoas deixarem de fazer justiça pelas suas próprias mãos e entregarem os malfeitores à polícia de cada vez que os detenham.

Todavia, e é preciso recordar isso, em diversas dessas ocasiões as pessoas defenderam abertamente que enquanto não acreditarem que as autoridades vão realmente manter os bandidos na cadeia continuarão a fazer a sua justiça. E estão a cumprir, “ao pé da letra”, tudo indica!

Ainda defendendo a sua tese, as populações já deixaram claro que em muitas ocasiões em que lincharam os bandidos, a calma regressou aos seus bairros. Isso significa, no seu entender, que a saída é mesmo essa: “executa-los! ”

É realmente uma situação melindrosa esta, para uns e para outros.

Para as autoridades que têm que observar escrupulosamente o preceituado na legislação, e para as populações que igualmente devem obediência à lei, contudo sentem-se intranquilas no seu dia-a-dia e, não confiando no trabalho das autoridades, preferem ignorá-las e resolver unilateral e sumariamente o assunto.

Quem põe então o guiso ao gato? Como vamos sair desta encruzilhada?

Eliseu Bento

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