ELES reuniram-se? Não sei, o facto é que apenas oito por cento dos estudantes que participaram dos exames foram reprovados, tendo que recorrer à segunda época. Ela faz parte da lista. Os pais chamaram-na de burra, mas ela esquivou-se, disse que não era a única. O pai ripostou: “vocês são parte de uma manada”, ela que já nem recorda o que é isso de manada não reagiu, nem pensou em consultar o dicionário para conhecer o significado da palavra.

Depois de ouvir as bocas da mãe, que foram apimentadas por umas leves chineladas, a miúda foi directo a cama, onde ficou um longo período em conversa com a almofada. Entre gotas de suor e lágrimas ela repousou.

Os pés estavam sujos, o corpo estava suado, mas mesmo assim ela repousou. A cabeça estava cheia, os sermões eram inúmeros, mas mesmo assim ela conseguiu ter um sono tranquilo. Os insultos, piadas foram abundantes, mas mesmo assim a aluna conseguiu ter um sonho bonito, aposto.

“Leia, leia filha”, dizia a mãe num tom brando. Obediente, a aluna pegava nos livros e exames dos anos anteriores e estudava. “Fica aqui! Leia minha filha, leia”, dizia a progenitora, depois do almoço. “Hoje não dormes cedo, leia filha leia. Não podes envergonhar a família”, insistia, tirando o sono do obediente ser que gerou.

Depois de leituras, a estudante chegou a uma conclusão, não sabia nada. Sim, isso mesmo, na 8ª, 9ª e 10ª classe ela brincou de ser aluna: os professores fingiam que explicavam, ela fingia que entendia e no dia dos testes tirava o papel secreto ou confiava nos colegas e no pescoço flexível. Resultado, os pais querem que ela passe de classe, mas a cada leitura a certeza fica cada vez mais diluída.

O que fazer? “Deve existir outra saída. Mas qual? Não sei, vou procurar”, disse para si mesma, enquanto caminha em direcção a casa de sua amiga Marta, proprietária de uma esperteza de espantar os mais astutos. 

Péssima a disciplina de português, cada vez que falava Camões e Craveirinha tapavam os ouvidos para não ter o desprazer de ouvi-la agredir o instrumento de trabalho destes poetas.

“Tenho uma way minha bradinha”, disse. A aluna ficou tranquila, voltou para casa. Ficou duas horas a folhear os livros, os exames dos anos anteriores sorridentes. A mãe só olhava, ora ficava confiante, ora ficava desconfiada, ora ficava em dúvida, ora ficava feliz.

Agora ela arruma o cabelo. Amanhã será o dia do exame, mas ela e outras que contactaram Marta receberam uma advertência: “é para tirarem notas para passar do exame, só isso”. 

Glória Maria - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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