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GLÓRIAMaria, hoje tive a certeza de que a terceira idade é um cão farejador, incansável na sua busca. Tranquilo, sabe esperar, pois sabe que no final sairá triunfante.

Na infância, pensei que era possível contornar a idade, que existe uma fórmula para não envelhecer, mas depois de ver o meu docente da primária a contorcer-se de dores percebi que o cão já havia encontrado o fugitivo. Sim, somos fugitivos inconscientes, à busca de um abrigo incerto.

A juventude de meu ídolo quando o sol batia na janela da sala dois, a careca do professor Chico, reluzia, reproduzia arco-íris. Os dedos grossos daquele docente seguravam o giz com tal firmeza que a maioria não resistia e partia-se. O quadro negro, sim o quadro da minha escola primária era negro, preto como as panelas da minha casa, enegrecidas pelo fumo de lenha e dos papéis.

Voz imponente, roca e autoritária. Quando o professor Chico falava ninguém tinha o atrevimento de mover os lábios e emitir um som. “Quem tiver dúvidas levanta a mão”, dizia. No entanto, o que ele dizia era tão claro que os braços raramente se erguiam.

Naquela época não tinha dúvidas nas disciplinas de Matemática, Português e Ciências Naturais, pois tinha um professor que me guiava. Estudava em casa também, não por medo, mas porque as aulas eram saborosas como as laranjas e tangerinas que comíamos no intervalo de lanche.

A vida pessoal, as vivências do docente fora da escola eram um mistério, ninguém sabia. Reservado, a sua única conversa era a escola, os alunos e as técnicas e métodos de ensino.

Mas um dia vi o meu ídolo informal, com uns calções de jeans, uma criança a segurar a sua mão e a sua esposa, acho que era, estavam abraçados e tudo.

O reencontro ou a visita do cão

Num dia invulgar, em que as nuvens reinavam, vi o professor Chico. Duas pessoas seguravam-no. Sem forças, seus dedos fortes, que partiam vários paus de giz por aula haviam-se rendido, estavam moles, frágeis como a sua saúde.

Perguntei aos seus filhos o que havia acontecido com ele. Estes responderam que a idade não perdoa. “Ele não está doente, é a idade que está a cobrar a sua dívida. Infelizmente, o dinheiro de professor não lhe deu o suficiente para ajuda-lo nesta fase da vida”, fincaram.

Fiquei paralisado, não sabia o que dizer. Pensei em ajudar a carregar o homem, mas percebi que o meu doente estava em boas mãos.

Reparei para o trabalho dos filhos, o exercício que fizeram para coloca-lo no carro. Ouvi o motor do carro a roncar, vi a poeira a levantar-se. E, neste manto, vi um cão de raça a seguir o carro e ai disse para mim mesmo: o fugitivo já foi encontrado.

Glória Maria-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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