VISITAR a ilha do Ibo e não se avistar com o velho João Baptista não difere tanto de ir a Roma e não ver o Papa.

Lembrei-me do ancião João Baptista quando há dias fui interpelado por um amigo turista que pretendia visitar alguns lugares histórico-culturais da província de Cabo Delgado e, nessa linha, falou-me especificamente da ilha do Ibo, onde se encontra a Fortaleza São João Baptista, construída na altura pelo regime colonial, com o objectivo de fortalecer a defesa da então colónia portuguesa.

A propósito da fortaleza, lembro-me da existência de um projecto de restauração deste monumento histórico que me foi dado a conhecer pelo próprio João Baptista, numa das vezes em que, por razões profissionais, escalei aquela zona insular de Cabo Delgado. Afinal, João Baptista é tido como conselheiro e historiador da ilha - Ilha Bem Organizada (IBO), na definição daquele velhote. Não sei a quantas vai tal reabilitação, mas a verdade é que na altura em que lá estive o monumento caía de tanta velhice. Baptista, exímio conhecedor da história do Ibo, contando acima de 90 anos de idade, falou-me da construção da fortaleza, dos objectivos, da venda de escravos e de tantos outros detalhes inerentes à ilha. Apesar da idade, João Baptista não se esquece da história.

Tenho o orgulho de ter conhecido este conselheiro e historiador que, quanto a mim, constitui a reserva moral da ilha. E nisto, devo gratidão especial ao Gaspar, à Aua Abdulrremane, à Justina e ao Sumaila, ligados à cultura e turismo na província, figuras que me levaram ao devaneio marítimo até à ilha. O tempo veio e passou depois da visita ao Ibo, mas ainda hoje me lembro, profundamente assustado, das “brincadeiras” daquele marinheiro no alto mar, quase que desligando o motor da pequena embarcação para atravessar zonas alegadamente pouco profundas e das rotas longas que seguia para contornar os bancos de areia. Autêntico martírio para quem não está habituado àquele tipo de travessias. Embora tardiamente, o meu muito obrigado a este pessoal.

Foi assim que conheci o velho João Baptista, velho que me falou dos traços sócio- culturais do Ibo, alguns dos quais já em desuso, da dança do tufo, das comidas típicas, enfim, de tantas outras especificidades daquela zona insular. João Baptista em si é uma história. É ponto de atracção turística. João Baptista é figura incontornável da história da ilha, mau grado a sua já avançada idade. Apesar do facto, continua a receber visitas, prestando todo o tipo de informe sobre a Ilha Bem Organizada. Não se furta a entrevistas com jornalistas, sejam nacionais ou estrangeiros. Sentado no seu banco - cama, colocado da varanda frontal da sua humilde “palhota”, contempla tudo o que se passa em sua volta; conhece, na generalidade, a todos os habitantes da ilha, que o prestam a devida vénia, sinal de que João Baptista é bem patrimonial da ilha do Ibo.

Acredito, pois, que um dia voltarei a estar com o velho João Baptista para mais “dedos de conversa” sobre a ilha e outras vivências. E tu, amigo, que te deslocares ao Ibo, seja por que razões, não te esqueças de visitar este embondeiro histórico-cultural.

Um abraço, velhote.

Salomão Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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