NÃO direi, nestas linhas, que semana passada o país parou para dar espaço à radiografia, através de uma profunda introspecção daquilo que é a vida da nonagenária Sociedade do Notícias, que domingo completou 92 anos de existência, pois o compromisso com a informação diária para os seus leitores não permitiria que tal acontecesse. Mas poderia dizer ter-se tratado de uma semana diferente, não apenas para a Sociedade, mas para o país inteiro, em razão da responsabilidade deste líder da comunicação social, no contexto nacional, através do seu compromisso com os factos.

Foram nada mais, nada menos que três dias em que os filhos e “donos” desta instituição se juntaram à mesma sala para ver de onde vêm, onde estão e, obviamente, para onde querem ir, porque a condição de líder nunca abriu espaço para o relaxamento. Debateu-se sobre a vida interna, com toda a democracia que caracteriza o ser e estar desta casa, em busca de estratégias que levem aos patamares perseguidos e que o optimismo quanto ao alcance desse desiderato orgulha cada um dos membros deste laboratório de informação.

Para testemunhar esta certeza quanto à caminhada firme, rumo à solidificação da condição de líder natural da comunicação social na imprensa escrita, os dias de intensos trabalhos culminaram com a apresentação de novos produtos da Sociedade do Notícias, com destaque para as plataformas online das três publicações da casa, além do novo perfil gráfico para o diário “Notícias” e os semanários “Domingo” e “Desafio”, num evento bastante concorrido, tanto pela quantidade, mas sobretudo pela qualidade dos presentes na cerimónia.

Foi interessante ouvir o antigo Chefe do Estado moçambicano Joaquim Chissano falar do contributo das publicações da Sociedade do Notícias na construção e preservação da história de Moçambique – desafios e perspectivas. Neste tema, que marcou o último dia da VII Reunião Anual, Joaquim Chissano estabeleceu as pontes sobre diferentes momentos da história deste país, desde o período colonial, passando pelos momentos de transição para um Moçambique independente sob gestão monopartidária, até à revisão constitucional, que culminou com a adopção de uma orientação pluripartidária, para a perseguição do seu destino, cuja meta é o bem-estar de cada moçambicano. Em todo este processo, o jornal “Notícias” não só marcou presença, como também deixou sua marca registada, sem que, no entanto, fizesse o papel do “Pravda” ou “Izvestia”, jornais russos que tinham por missão veicular informações oficiais do regime, até 1991, ano em que se dissolveu a União Soviética (URSS).

Fiquei sensibilizado quando ouvi do painelista Luís Covane dizer que, na elaboração da sua monografia, para a obtenção de um dos graus académicos, uma das fontes a que recorreu foi o jornal “Notícias”, de onde obteve toda a informação. Referia-se ao famoso Acordo de Lancaster House, que para muitos não passava de um cenário que culminou com a independência da Rodésia do Sul (Zimbabwe) da colonização do Reino Unido. O “Notícias” deu-lhe tudo e ele ficou feliz.

Sem pretender hierarquizar os discursos dos oradores, até porque cada um tinha o seu valor contextual, a verdade é que senti comoção da parte do auditório quando foi a vez do académico (outros também o são) Nataniel Ngomane falar do contributo do “Notícias” na elevação dos níveis da literacia. É que, num país que tem como um dos pilares para o desenvolvimento a erradicação do analfabetismo, quando a Sociedade do Notícias, através das suas publicações, entra na batalha contra os níveis da iliteracia, eu, como parte integrante deste grupo que tem como missão informar formando, sinto-me membro activo da construção da moçambicanidade. E isso lisonjeia-se, de alguma forma.

Afinal, quando se joga limpo(po) contribui-se para a elevação dos níveis de literacia. Avante, Sociedade do Notícias, SA! 

César LangaEste endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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